As religiões funcionam assim


sincretismo religioso

As religiões funcionam assim:

Quando você a critica, e expõe os seus pontos negativos e incongruentes, imediatamente os seus fiéis, percebendo a coerência das críticas (ou não), mas não querendo flexibilizar e se abrir para autocrítica (algo tão característico de seu comportamento), lança mão de todos os recursos possíveis para se defender: desqualifica o argumento (“isso que você está dizendo é um equívoco”), ofende o argumentador (“você não entendeu nada” “você é um estúpido” “você é um pecador”) ou tenta aparelhar todos os diversos grupos e/ou pessoas que a critica num bloco só, deslocando tudo pra somente um lado (claro que esse lado é o lado do mal) para conseguir se defender também de forma blocada (o clássico “como você não acredita em deus? então não acredita em nada? impossível. todo mundo tem que acreditar em algo!”).

E, acrescentando, na religião a melhor defesa é apelar para autoridade do líder. Na verdade, o líder é o verdadeiro deus numa religião. É ele o interpretador oficial dos fatos. Será ele quem dirá para onde todos se conduzirão. E se ele confirmar o que diz baseado em escritos (feito por outras pessoas também porque, cá pra nós, sabemos que não existe isso ai de divino na inspiração desses escritos), é o suficiente pra que sua palavra seja a única a ser de fato ouvida e obedecida. Caso ele seja duramente criticado, pelo óbvio fato dele ter uma série de falhas que, no geral, são: arrogância (afinal, humildade é algo extremamente ruim pra quem tem a função de manipular os outros. Tem que se impor), discurso prolixo, ter histórias mal contadas sobre si, entre outras tantas coisas. Nesse momento de crítica ao líder é o que os fiéis se sentem como que desafiados a defendê-lo, independentemente dos absurdos que ele fale. É nessa hora que todos formam um grande bloco e equipam-se com seus testemunhos como escudo e partem para a ridicularização de aspectos pessoais do críticos do “mestre”, sem se darem conta (ou sim) de que não estão dizendo nada com nada de forma concreta. Por isso os líderes são os mais perigosos e ardilosos da comunidade religiosa. Afinal, eles sabem como conduzir essas pessoas, os seus fiéis, as suas ovelhas lobotomizadas. Líderes são lobotomizadores indiscriminados.

Mas jamais um fiel sentirá que seu cérebro foi lavado. Aliás, a primeira pessoa a negar que foi manipulada é o manipulado. Um religioso não vive no mundo real, porque é essa estratégia da religião: criar universos paralelos, onde tudo que seja externo a essa universo seja visto como ruim. E quem tiver fora desse mundo precisa ser convertido ou se transformar num simpatizante (principalmente nesses tempos de simpatizantes financeiros). Pra isso, os líderes criam zumbis, robôs com a falsa impressão de consciência, que precisam estar exclusivamente focados na Obra do Senhor. Esses “obreiros” são insuportáveis: com palavras bonitas e bem articuladas, vivem falando da obra, citando, muitas vezes de forma exagerada, as grandes ações da sua comunidade, e só isso sempre. A obra, a obra, a obra, o quanto o nosso deus é maravilhoso, incrível e o quanto somos generosos uns com os outros (menos com quem não é também um de nós, claro).

Esse é o grande problema da religião: ela não dialoga com nada que seja diferente de si (e qualquer pessoa que não concorde é um anti-religioso, um inimigo), não abre seus códigos, mas desenha, em torno de si, a imagem de total abertura, de que é o ambiente mais próximo do paraíso. E que tem algo, que é sempre difuso e gasoso, lá na frente que é um “plano maior” (como se a vida fosse uma preparação para um outro plano superior; e não é, amigo). E se você diz que o quê aquela religião professa é algo que não tem sentido, a resposta é sempre em uníssono: você não entendeu nada.

Mas vivemos numa boa época: a pós moderna, época para grandes rupturas com as também grandes lavadoras de cérebros (as religiões, nas suas mais diversas formas de se manifestar); uma época para entender que os caminhos (para qualquer objetivo) são múltiplos; uma época de vazão ao devir humano, demasiadamente humano, sem precisar buscar por possíveis paraísos. Infelizmente na pós-modernidade (ou hiper-modernidade, como prefere Habermas) existem muitos pós-hipócritas que negam a realidade e preferem se prender nas bolhas do seus templos.

Os pós-hipócritas são aqueles famosos que até transcendem os limites da religião: aqueles que pregam a humildade mas são pedantes, que pregam o pós-rancor e se comportam como rancorosos, que não seguem a máxima de sua (ou de qualquer outra) religião: amar o próximo. Com o falso signo de se acharem atuais e novos no que pregam, acabam somente reproduzindo tudo aquilo que apontam como erro e se tornando pós-engressados e pós-retardados.

Então por isso cuidado com as religiões: elas são escusas e se fecham numa linguagem hermética. Suas explicações não explicam nada.

p.s.: antes de fazerem acusações de que generalizei, acalmem-se: apenas mostrei a carapuça, caso lhe sirva, use a vontade.

Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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2 respostas a As religiões funcionam assim

  1. Renato diz:

    Apesar de não seguir nenhuma religião especifica, discordo plenamente dessa sua opinião dogmática de que a religião é a grande lavador de cérebros, muito dos lideres radicais de diversas religiões, não ansiavam por uma simples dominação do povo, mas também pela tranquilização de suas aflições, e pela libertação de seu povo em um tempo em que a lei da força por incrível que pareça se configurava de forma muito mais efetiva que em nossos tempos, e bem antes da ciência moderna e até mesmo da filosofia, e de valores humanistas entre outras coisas. A partir disso você pode argumentar então, que a religião perde o sentido hoje em dia, já que vivemos(pelo menos em nossa sociedade ocidental), tão rodeados e até saturados de ciências, que nos ajudam muito mais a compreender-nos como seres, porém não devemos nos esquecer que fé , axé ou outros termos relacionados a crença além de serem algo que remete a uma tradição e a uma forma de comunhão, se relacionam com a alma, a qual os céticos negam a existência, mas que na verdade é algo completamente concernente ao individuo que pratica. Acredito em religiosos inteligentes, assim como em céticos burros, acho que as doutrinas religiosas tem muito a nos ensinar, assim como os avanços científicos também tem muito a ensinar a religiosos de idéias curtas, que infelizmente são sim muito comuns. mas não são todos.

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