O fantástico Silas Malafaia!


Um breve comentário sobre os debates com a participação do pastor Silas Malafaia

Na comunidade das denominações de cunho protestante no Brasil destacam-se líderes deveras curiosos e icônicos, seja pela sua capacidade de argumentação, seja pela sua vergonhosa capacidade de sustentar seus credos e convicções com argumentos e ideias que resvalam na completa estupidez e/ou ignorância.

silinhas

Silas Malafaia faz parte do segundo grupo. Nenhuma novidade no front, pois sabemos que assim caminha a humanidade (para o Silas).

Silas, pastor evangélico conhecido no meio dos conhecedores, desconhecido pelos seus fiés (não consigo tirar outra conclusão, porque só não conhecendo pra acreditar em algo que ele diga), tem se notabilizado, junto com tantos outros do mesmo séquito, pelos debates em que participa como representante da parte cristã não-católica e nem afro-religiosa do país. Eis o primeiro ponto. Ele não representa muito.

E acho que podemos tirar uma boas conclusões do debate que aconteceu nessa quinta (01), que envolveu representatividades do ateísmo com Daniel Sottomaior (da ATEA, que nem de longe representa – bem – boa parte dos ateus do Brasil) das religiões afro-brasileiras com Ivanir dos Santos, do catolicismo representado pelo padre Jorge (chamado carinhosamente de Jorgão), e “representando” os evangélicos, o pastor Silas Malafaia. O programa, com apresentação de Pedro Bial, com o nome de “Na Moral”, tinha como tema O Estado Laico. Foi um debate bem ilustrativo de como o tema ainda não se exauriu e o quanto a figura do pastor assembleiano é perigosa para todo esse estardalhaço. Por isso, vale ver, ainda que rapidamente alguns pormenores da postura problemática do Silas (o único debatedor exaltado, que apelou para jargões e tangentes tão incômodas, que ficar calado é pecado).

Por isso, voltemos ao primeiro ponto da representatividade.

Antes disso, acho que vale, para quem não visto, assistir o programa em questão. Por isso disponibilizo aqui a versão completa (quem já viu, segue). Vejam:

O pastor, que manipula…perdão, pastoreia suas ovelhas (só sendo tendo mesmo um cérebro de ovelha, pra se deixar guiar por esse senhor) na Igreja Vitória em Cristo, mais uma das milhares de tendências do partid…opa, igreja Assembleia de Deus. Mesmo sendo uma igreja de credo cristão, a Vitória em Cristo tem diversos pontos dissidentes com inúmeras outras (e são muitas! O senso do IBGE em 2004 contabilizou o humilde número de 188.498 igrejas evangélicas no Brasil). Por exemplo, só pra pegar um caso específico (eu teria milhares deles), nenhum adventista (seja ele de qual dissidência for) concordaria com boa parte das falas de Silas. Primeiro quando ele fala da “escola dominical” como modelo de educação das crianças evangélicas: os adventistas não possuem escola dominical, pois no caso dos adventistas do sétimo dia, como já diz o nome, têm a sua escola no sábado, ou seja, uma escola sabatina e um modelo (ainda que controverso) de ensino formal que se espalha numa vasta rede de escolas e faculdades pelo mundo. Ou seja, ou seja, senhores, Silas não representa nem os próprios evangélicos. Representa tão somente sua confissão religiosa. E mal.

O que nos leva a outro ponto: sua incapacidade de argumentar.

No debate em que alguns pontos nevrálgicos foram postos à baila, Silas, mostrando despreparo, adota a postura de incisividade pra corrobar seu ponto de vista. Quando questionado sobre a razão da expansão das igrejas evangélicas, Sottomaior aponta o indicativo de ser devido a promessa de recompensa financeira, a conhecida Teologia da Prosperidade. O que suscitou a fúria (esse é o termo) do fantástico senhor Silas Malafaia que é, diga-se, o terceiro pastor mais rico do Brasil com um patrimônio que soma-se em cerca de 150 milhões de dólares, segundo a Revista Forbes. Malafaia literalmente grita pra defender seu ponto de vista. E acaba não convencendo.

Algo que ele usa com frequência é a digressão: fazer com que um assunto seja cortado por outro, sem que esse seja concluído. Faz isso tão naturalmente que o seus admiradores (existem!) talvez não percebam, mas qualquer pessoa com bom senso (e cérebro funcionando) entende isso rapidamente. E tudo isso talvez seja, conjectura minha, por um motivo.

E chegamos a mais ponto sobre nosso adorável pastor: sua prepotência.

É patente que os religiosos de origem judaico-cristã (e de outras matrizes monoteístas) fazem a árdua defesa da humildade em seus discursos, contudo a prática revela outra postura adotada pelos religiosos: a da total arrogância. Valem-se da ideia de que suas “verdades” sejam o caminho, o único e absoluto, a ser seguido. Silas Malafaia é a representação mais exemplificativa disso. O momento em que Ivanir o convida para participar junto com os membros da comunidade candomblecista de uma manifestação pelo respeito e igualdade, Malafaia, que momentos antes tinha dito que os evangélicos só querem igualdade para todos, se embananou pra dizer que pra respeitar não precisar andar junto – uma arrogância sem tamanho (e vale lembrar, como frisou Ivanir, que as religiões afro-brasileiras são demonizadas por boa parte dos grandes conglomerados de igrejas evangélicas).

Mas afinal por que Silas Malafaia é tão forte em cativar um universo cada vez mais amplo de pessoas para as fileiras de sua igreja ou do credo cristão protestante (neopentecostal)? Isso se dá por fatores bem claros, dos quais vale destacar dois: o primeiro, talvez o mais preocupante, é a ignorância. Pessoas burras mesmo, que se agarram a primeira explicação que encontram e a defendem com unhas e dentes. Um fênomeno que pode ser facilmente comprovado em qualquer culto de uma igreja evangélica (recomendo uma visita). O segundo, é o fato de Malafaia falar na língua do povo, do jeito que todos vão entender: da manicure ao pedreiro. Tente explicar para alguém que já tem predisposição de não te ouvir e menos ainda concordar com você, que tudo que ela cresceu acreditando é mentira e fruto da criação da cultura, algo extremamente humano, sem a mínima interferência de algo divino. Óbvio que ninguém vai dar credibilidade para o que você está falando. Agora tente ser mais persuasivo e diga o que ela quer ouvir. Pronto, todos os pontos estão com você. Silas é esse tipo de pessoa (Edir Macedo, Feliciano, e outros, são do mesmo jeito).

Mas vale dizer: conseguir convencer não significa, em nenhum momento, que você tem razão. Ser persuasivo não que o que você está dizendo é racional. Ser lógico não é racional. Ponto.

Malafaia é o tipo de pessoa que se escuta por um ouvido e dá pra sentir tudo saindo pelo outro. Dizer que quem mais matou foram governos que eximiram totalmente a religião e deus de seus países apresentando casos isolados, enquanto a história registra o mar de sangue derramado pelos sistemas de governo com base na religião enquanto estrutura de coordenação de massas, é  mais do que absurdo. Silas não olhou esse lado da história não é?

Sem me estender mais: Silas Malafaia é um desserviço a sociedade, ao Brasil. Ele, amigo evangélico, não diz “as verdades na cara”; ele usa do símbolo que tem para conduzir os seus fiéis a decisões com bases em fundamentos podres, e ruídos. Alguém pra ser ignorado por ouvidos mais atentos. E, por esses mesmos ouvidos, ser vigiado. Afinal ele pode conduzir uma massa amorfa e anencéfala e que pode influenciar na vida de todos. Um risco.

E oxalá todos os religiosos tivesse o bom senso de um Ivanir dos Santos. Axé pra todos!

Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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5 respostas a O fantástico Silas Malafaia!

  1. Um cara que pensa diferente diz:

    Cara com todo respeito, “Tente explicar para alguém que já tem predisposição de não te ouvir e menos ainda concordar com você, que tudo que ela cresceu acreditando é mentira e fruto da criação da cultura, algo extremamente humano, sem a mínima interferência de algo divino. Óbvio que ninguém vai dar credibilidade para o que você está falando. Agora tente ser mais persuasivo e diga o que ela quer ouvir. Pronto, todos os pontos estão com você. Silas é esse tipo de pessoa”

    Isso também serve pra você… esqueça a religiosidade em si. E viva de forma empírica.

    Leia um livro chamado bíblia coloque em prática o que ele fala. Depois parede xingar e comece

    a pensar de maneira razoável e sem preconceitos.

    É só um convite. Se continuar achando a mesma, coisa posso até concordar com você.

    Caso contrário que diferença você tem dos caras que você tanto fala???

    Que o verdadeiro Deus abra os olhos do nosso coração cada dia mais.

    • Olá “cara que pensa diferente”, o livro que você cita como se soubesse se o li ou não, na verdade já li mais do que 99,7% dos cristão brasileiro. Li a bíblia mais de 10 vezes, 12x pra ser mais exato e amigo, e nenhuma delas fui convencido de que o seu conteúdo fosse algo além de parábolas ou somente histórias fictícias, assim como os contos africanos ou as histórias da mitologia hindu.

      Fui por anos pertencente a denominação Adventista do Sétimo Dia e fiz Teologia. Não apele para uma ignorância que você acha que eu possuo. Sei de cada trecho do seu livro sagrado (e o meu livro de ficção).

      Sinto realmente em lhe informar que os olhos que precisam ser abertos aqui não são os meus.

      Que Deus (o que d maiúsculo) lhe abençoe e lhe dê o bom senso de ver que o homem que você defende é uma afronta ao ser humano.

  2. Sou ateu, mas acho que o mais coerente deste programa foi o Ivanir dos Santos. Sem agressões e com inteligência.

  3. Papudo diz:

    Excelente texto, mas o final foi de arrepiar. Eu sempre avisei que esse era o pior de todos (desde quando ele usava bigodes, lembra?), existe um perigo real desse sujeito usar seu palavrório alucinógeno para galvanizar a intolerância e a supremacia religiosa. Isso lembra coisas. Coisas terríveis. Que o povo não dê mais poder a esse maníaco do que ele já está tendo.

  4. Mat Yeah diz:

    What? Só consigo enchergar o Silas ownando nos debates kkk

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