Solidão: uma companhia constante


A Solidão é aquele tipo de companhia que não depende da sua vontade para estar do seu lado. Ela não se importa com sua opinião, quando quer ficar, fica. Nem por isso é uma má companhia. Talvez seja uma das melhores. Ela está lá quando você está sozinho ou quando está rodeado de pessoas. Às vezes ela nos deixa triste, em outras nos faz ficar pensando sobre a vida. Ela é uma companhia necessária. Quando se tem uma decepção amorosa, ela é a melhor parceira. Fica lá com você, ouvindo aquela música que te lembra a pessoa amada – mesmo que não queiramos ouvir esse tipo de música – também está se afogando junto com você naquele pote de sorvete sabor baunilha com lágrimas. Ela sempre aparece quando você está decepcionado com o seu melhor amigo, aquele em quem você depositava toda a confiança do mundo, mas que te abandonou quando mais você precisava. Quando você perdeu um alguém muito querido para outra companhia que nos ronda, uma tal de Morte, a Solidão estava lá, vendo você chorar um choro silencioso, doído, do seu lado. Ela estava por lá quando você se isolou de todos, pois queria tempo para si, para se conhecer, porque estava confuso com tudo o que estava acontecendo. Para os que vivem no mundo das ideias e palavras, ela talvez seja de fato a melhor companhia. Nos dá a tranquilidade na leitura de um bom livro, ou em alguns momentos, nos faz até querer sermos poetas e escritores.

As pessoas podem falhar, esse é um atributo natural nosso; podem fazer com que soframos, podem também fazer com que tenhamos certas e boas alegrias, elas podem nos fazer passar pelos mais diversos sentimentos e momentos, mas uma coisa ninguém pode: ser uma companhia constante. Uma hora elas se afastavam, uma hora elas nos abandonam, sejam por circunstâncias que forçaram isso, seja por decisão própria. E é nesse momento que percebemos a presença da fiel companheira Solidão. Não devíamos vê-la de forma pejorativa ou negativa, ela é a nossa única verdadeira companhia. É a única que nos faz conhecer melhor a pessoa que menos nos preocupamos em conhecer: nós mesmos. Ela é a única que nos permite ver outros caminhos, pensar em outras possibilidades, tomar outros rumos, decidir corrigir erros que pareciam irreversíveis. Ela é uma injustiçada. Não queremos ter a companhia dela, mas ela continua lá, insistente. Sabe que precisamos dela. Não façamos com que ela seja abandonada, usufruamos da sua presença, quem sabe ela não tenha bons conselhos para dar ou talvez possa nos fazer ter boas ideias quando mais precisarmos delas. Não menosprezemos a Solidão, ela pode fazer tanto por nós, basta que permitamos.

Quando a Solidão é nossa única companhia, não devemos perder tempo lamentando, isso não resolve nada, temos mais é que curtir essa companhia, e ver que quando alguém amigo, ou amante, chegar de novo, ela vai ficar numa distância segura de nós, na espera de se aproximar, sempre torcendo por nós, e desejando que não a abandonemos, pois se temos amigos verdadeiros, ela faz parte desse grupo.

Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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