Minha Vida em Cor de Rosa


A maioria dos realizadores que tratam do tema da homossexualidade costumam fazer isso de forma canhestra, ou muito mal feita. Ou pendem para uma militância superficial ou vão pelo caminho inverso e fazem filmes que são carregados de uma visão moral negativa da homoafetividade. Raro mesmo é ver um filme que toque bem no cerne da questão. Tive a oportunidade de ver um filme ótimo que trata desse tema e de toda sua complexidade de forma simples e, em alguns momentos, até poética.

Minha Vida em Cor de Rosa (Ma Vie em Rose, 1997) conta a história de Ludovic, interpretado de forma genial pelo ator-mirim Georges du Fresne, que tem a certeza de que é uma menina mas que está no corpo errado. Ludovic tem o hábito de vestir-se de mulher e está apaixonado por um colega. No entanto sua vida não é fácil. As pessoas o tratam como um estranho, preferem não deixar que seus filhos se aproximem do pobre menino, isso se prolonga para a família, no começo o pai de forma mais acentuada e logo depois a mãe, que tenta “curar” sua “doença” com tratamentos psicológicos. O que não dá certo, pois Ludo (como é chamado pelos familiares) gosta de meninos. O garoto fica confuso, pois está a descobrir sua sexualidade; chega até a achar de menstruou. E a família não sabe administrar isso. Com todos os amigos se afastando, com o pai sendo demitindo por ter um filho com hábitos afeminados, tendo a porta da garagem de sua casa pichada com dizeres homofóbicos, a família de Ludo resolve se mudar para outra cidade, na esperança que os “sintomas estranhos” de Ludovic melhorem, se amainem de alguma forma. O que não acontece. Então Ludo conhece Christine, que é uma menina que se apresenta como Chris, e sua família e é convidado para a sua festa de aniversário, onde ele troca de fantasia com Christine que estava fantasiada com um vestido de princesa. Isso é o estopim para que a mãe de Ludo o agrida e o acuse de estar destruindo a vida da família. Mas esse fato também e preponderante para que os familiares de Ludovic o vejam de forma mais respeitável, pois logo depois a mãe de Ludo percebe que exagerou. Mas depois do episódio o “problema” do Ludovic passou a ser visto de forma mais branda pela sua família.

O filme de Alain Berliner não é panfletário, não se preocupa com a sexualidade em si, mas em como se lida com ela, como se lida com o que é distinto de um padrão imposto. Apesar de fazer grande sucesso dentro de festivais de cinema voltando para o público gay, o público-alvo, por assim dizer, não são os gays, mas todos os que não sabem conviver com que é diferente da regra imposta. Um importante ponto levantado pelo filme é o sofrimento que a discriminação pode causar, a dor que atitudes violentas podem ocasionar. O filme pode ser visto justamente como aviso de que se pode trazer muita dor desnecessária na defensa de um comportamento defendido como “o certo”. Não tendo mensagem política alguma, o que a película defende é saber respeitar a diversidade, por mais que ela nos soe desagradável ou estranha, não importando qual seja ela. Neste ponto Minha Vida em Cor de Rosa consegue alcançar bem seus objetivos. Com uma fotografia simplista, priorizando cores mais amenas, com planos mais abertos, esse filme é tocante, em dados momentos chega a ser poético, um tanto quanto bobo também, mas de qualquer forma um bom filme.

Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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Uma resposta a Minha Vida em Cor de Rosa

  1. fabriciomalves diz:

    Epa, definitivamente, agora preciso ver este filme, curto filmes do gênero e este virou filme obrigatório para mim agora. Vou procurar imediatamente para assisti-lo. Valeu pela dica. Poxa, realmente, alguns filmes pecam quando vão falar sobre o assunto, este aí parece que está na medida e bem fiel a realidade.

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