deus


“O que somos é o resultado de alguns fatores quimiofísicos, sem qualquer planejamento prévio e a sensação de abandono provocou-nos a necessidade de inventarmos um Deus à nossa imagem e semelhança: sádico, interventor, paternalista, egocêntrico, vingativo, utilitário e fatalista. Não nego que deus esteja em tudo, mas somente na forma de leis básicas e primordiais, gerando consequências a partir de condicionantes semeadas aleatoriamente. Um Deus como tal inventamos, como poderia permitir tanta mazela e tanta iniqüidade no seio de seus pupilos? Somos subordinados a uma espécie de loteria universal. Tanto você pode sofrer um atropelamento, pegar um câncer ou ganhar uma fortuna de herança. Deus não é o guincho que vem em seu socorro quando seu carro quebra e você o chama. É ridículo, ante nossa pequenez e insignificância, querermos cultivar sentimentos como o orgulho, por exemplo. E quanta gente conheço que se alimenta do maior orgulho de ser imbecil! Não temos esse significado transcendental que tentamos nos atribuir.”  (Centopeia de Néon – Edival Lourenço p. 130)

p.s.: escrevi uma resenha sobre o livro de Edival, que vocês podem achar no Roedor de Livros.

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Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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