Conune e a imagem do Movimento Estudantil


Tive a oportunidade de participar dos dias 13 a17 de julho de 2011 da 52ª edição do Congresso Nacional da Une (CONUNE), ocorrido na cidade de Goiânia, no estado de Goiás.

A União Nacional dos Estudantes é uma instituição representativa do movimento estudantil (quase que majoritariamente de esquerda), que participou de importantes momentos dentro de história política e social do Brasil, com a participação em massa de estudantes politizados, com um senso crítico apurado e preocupados com o desenvolvimento de um país justo, equitativo na distribuição de seus recursos financeiros. Mas isso ficou dentro de um período que chamamos de passado.

Reunindo cerca de oito mil estudantes de todo Brasil na sua 52ª edição, o CONUNE tem, em tese que se diga, a intenção de mobilizar os estudantes em torno das problemáticas sócio-políticas que permeiam o cenário do Brasil. Contudo, a juventude da atual geração parece não preocupar-se de forma efetiva com isso. Na edição que participei estavam ocorrendo diversas atividades simultâneas, como grupo de debates, plenárias, marchas, e, a parte mais frequentada, atividades culturais. O número de participantes que envolveram-se nas atividades de teor político foi pífio. Pouquíssimos. Contudo à noite a movimentação era intensa. Com shows, tendas de músicas, bebida e cigarros à vontade, a “estudantada” se reunia em peso para divertir-se, tomar pileques homéricos, e no outro dia estar imprestável para as atividades realmente relevantes do Congresso.

O CONUNE deu-me uma real imagem do que se tornou o movimento estudantil brasileiro: um movimento saudosista que vive de um discurso que se sustenta num “passado glorioso”, de gritos de guerra vazios, onde uma minoria comanda a maioria (justo o modelo criticado por eles). O movimento estudantil hoje se limita a satisfazer interesses partidários, e se tornou uma desculpa para sexo, drogas e álcool. Tenho certeza de que se algum militante meia-boca ler esse texto, ele ficará irritadiço. Isso ocorrerá porque ele vê o movimento de uma forma idealizada, infantil, que está longe da realidade sofrível que hoje ele se encontra.

Não nego a existência de uma juventude preocupada com as causas sócio-política do Brasil. Existe sim uma parcela da juventude que de fato é politizada, e não partidária. Uma juventude que doa sua força e seu tempo para tentar, através dos recursos que possuem, mudar sua realidade. Mas essa parcela é ínfima se comparada com o contingente que formam as fileiras de um movimento estudantil que deveria ser de oposição a corrupta realidade política brasileira. Contudo, atualmente no Brasil, falar de política é sinônimo de falar de partidos políticos. A consciência política da juventude brasileira se diluiu em ideologias interesseiras e hipócritas. Essa juventude que acusa os outros de serem é, em si mesma, alienada.

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Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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