Desenvolvimento ou degradação? O dilema Extrativista na amazônia


 Texto escrito por Miller Souza

O advento dos problemas ambientais e a divulgação das florestas tropicais amazônicas como grande indutor da diminuição das problemáticas ambientais globais, fez com que o mundo fixasse os olhares para a Amazônia. Entretanto, a pressão interna e principalmente externa pela conservação e preservação da Amazônia termina por ofuscar um dos maiores desafios da própria região em questão: o desenvolvimento.

Muito se debate sobre as alternativas para se desenvolver a região, mas desde o assassinato do líder sindical Chico Mendes, o extrativismo tem sido a estratégia mais comentada e incentivada pelos governantes. Atualmente o governo federal em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, vem investindo através de políticas públicas no desenvolvimento da região através desse tipo de atividade que se baseia na coleta de recursos naturais para se obter produtos minerais, animais ou vegetais. Então, nos deparamos com a seguinte questão: o extrativismo seria a opção viável para o desenvolvimento da região amazônica? Nesse contexto, há de se destacar o extrativismo puro, que se baseia na extração de recursos naturais para transformá-los em recursos econômicos.

 Esse tipo de atividade que muitas vezes é vista como a grande alternativa para desenvolver a região evitando o desmatamento e a degradação dos ecossistemas, é insustentável e não condiz com as peculiaridades da região. Tal atividade constitui um ciclo econômico declinante: após a descoberta do recurso, inicia-se o processo de extração e o aumento da demanda faz com que se atinja rapidamente o limite da capacidade de aumentar a oferta, induzindo ao processo de domesticação e após, Inevitavelmente, se inicia o processo de declínio da atividade extrativista em função do esgotamento dos recursos da área e de outros fatores externos à extração, como o aparecimento de produtos substitutos, expansão da fronteira agrícola, o aumento da densidade demográfica e o processo de degradação. Além disso, a criação de novas alternativas econômicas torna esse tipo de empreendimento inviável, fazendo com que se torne impossível competir com outras atividades de maior valor econômico. Isso favorece o abandono da atividade extrativista pelo empreendedor – após o processo de domesticação – para migrar para atividades agrícolas e pecuárias que são atividades que possuem maior escala produtiva e consequentemente produzem fins lucrativos muito maiores do que o extrativismo, e também produzem grandes impactos e degradações ao meio natural. Por isso, esse tipo de atividade que inicialmente vislumbra o desenvolvimento da região, acaba se transformando em fator indutor de aumento da atividade agrícola, pecuária e outros, favorecendo o desmatamento, a destruição da biomassa e etc., aumentando os índices de degradação da região e agravando ainda mais os macro-problemas sociais e econômicos.

Do ponto de vista das comunidades tradicionais, há de se ressaltar a importância da introdução de um novo conceito: o Neoextrativismo, adequado às peculiaridades amazônicas e aos aspectos sócio-culturais dos povos da floresta e baseia-se na subsistência e não no lucro. É inevitável que  ocorra esse tipo de atividades por essas comunidades, já que são dependentes dos produtos oriundos das florestas para sobreviver, como: Caça, pesca, frutos e plantas. O consumo dessas comunidades se dá em níveis pouco intensos e por tanto não alteram substancialmente a comunidade de espécimes.

Nesse sentido, pode-se incentivar o extrativismo através de micro-políticas que substancialmente irão fortalecer a vida dos povos da floresta, que com sua minoria demográfica não implicaria em impactos significativos ao ambiente, melhorando a qualidade de vida das comunidades tradicionais sem interferir na dinâmica ambiental da região. Além disso, esse suporte às comunidades tradicionais reduziria a migração floresta/cidade fazendo com que os indicadores sociais das cidades não sofram alteração pelo aumento da densidade demográfica.

Por fim, pode-se notar que o incentivo às atividades extrativistas na Amazônia não podem extrapolar o campo de micro-políticas de assistência aos povos da floresta, já que essas comunidades são dependentes da floresta amazônica para sua subsistência, pois se o extrativismo for tratado como política em escala regional poderá resultar num agravamento profundo dos macro-problemas da região, fazendo com que aumente a pressão humana sobre os ecossistemas amazônicos, como o aumento da densidade demográfica nas florestas com abertura de estradas, aumento na demanda por recursos naturais, aumento de áreas desmatadas, aumento no risco de biopirataria, destruição de ecossistemas e outros. Assim, é inviável tomar a opção extrativista como carro chefe do desenvolvimento da região amazônica e se deva investir em pesquisas interdisciplinares para que se possa identificar as potencialidades e promover o desenvolvimento sustentável da região.

Miller Souza é Acadêmico de Bacharelado em Ciências Ambientais na Universidade Federal do Amapá, em busca de ascendência acadêmica.

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Sobre Ricardo Silva

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2 respostas a Desenvolvimento ou degradação? O dilema Extrativista na amazônia

  1. Nayara Araújo diz:

    Tirou 10 😉

  2. Miller Souza diz:

    Obrigado pela força mais uma vez Ricardo ! Espero que sirva para salientar e provocar debates sobre o tema abordado.

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