Chaplin: a poesia e a ironia não precisam de palavras


Não perderei meu tempo em adjetivos que todos usam, já usaram e vão usar. Gênio, irônico, crítico, engraçado, todo mundo sabe que o Chaplin é.

Vou ser totalmente parcial, subjetivo. Amo Chaplin, ele é sem qualquer possibilidade de dúvida, um dos cineastas que mais exerceu influência na minha vida, apesar de eu ter visto tão poucos filmes dele. Mas não, não é o mito que formou-se em torno de sua figura, não são as inúmeras referências que ainda hoje se encontram a ele no cinema contemporâneo, que me fizeram admirá-lo tanto como hoje eu o admiro.

Toda a minha opinião formada sobre Charles Spencer Chaplin, nascido em Londres Inglaterra no ano de 1889 na virada do século XIX para o XX, vem dos filmes dele que assisti. E gostei de todos. Absolutamente todos. Mesmo sendo eu influenciado por essa educação cinematográfica moderna de grandes efeitos e parafernálias tecnológicas, a simplicidade do cinema chapliano me conquistou logo quando vi Tempos Modernos­­­­­­­­­­­­. Recordo com nitidez. Eu estava numa aula de história, e minha professora falava animadamente do filme. Naquela idade tudo que é de escola é chato, eu não estava fazendo questão de ver a película. Mas nessa idade também não se tem poder (efetivo) de escolha. Tive que ver. Aquilo foi um choque. Foi o primeiro filme em preto e branco da minha vida. Enquanto todo mundo estava disperso, nem aí pro filme, eu estava lá vidrado, sem piscar, rindo com as palhaçadas de Carlitos. Me explodi de rir na cena em que ele vai mergulhar de cabeça num lago e bate com tudo no chão, pois é muito raso. Só eu e a professora ríamos.

Chaplin foi a maior estrela do cinema mudo. E é uma das maiores influências do cinema moderno. Com uma carreira extensa de mais de 70 anos, ele deixou sua marca indelével na história da arte cinematográfica.

Seus filmes passam a forte impressão de que tudo é improvisado, de que as coisas são mais espontâneas. Ledo engano. Chaplin era um compulsivo. Gostava que tudo saíssem do seu jeito. Era um perfeccionista doente. Por exemplo: a famosa cena de Luzes da Cidade, na qual ele compra flores de uma vendedora cega, que foi refeita 342 vezes. Tudo para sair do jeito certo. O resultado de todo esse perfeccionismo podemos conferir em películas lindas, como as que foram as suas.

Por falar na beleza das películas chaplianas, se há um filme que seja lindo dentro da lavra de Chaplin é o curta que aparece pela primeira vez o personagem Carlitos: O Vagabundo. Com seu indefectível fraque velho, com calças esgarçadas, e um sapato maior do que o pé, Carlitos é um dos mais famosos personagens de toda história do cinema.

O que Chaplin traz de novo ao cinema é a linguagem. Mesmo sem falar uma palavra sequer na maioria de seus filmes, ele se preocupava em escrever roteiros detalhados. Optando pela comédia, ele viu nesse gênero uma rica gama de possibilidades para desenvolver suas críticas. Sendo um mímico que faria escola, Chaplin foi universal. Todos de todas as línguas entendiam-no. Com o desajeitado Carlitos, Chaplin fez críticas irônicas aos poderosos políticos de seu tempo. Quem não se lembra do Grande Ditador, onde ele satiriza a figura de Hitler?

Chaplin mostrou em seus filmes a poesia de um rosto, a beleza do cotidiano. Nos faz ver que “um dia sem rir, é um dia perdido” (frase do próprio). Ele não precisava de palavras para se comunicar. Seu corpo falava.

Os filmes da lavra chapliana merecem ser vistos e revistos, tanto os longas como os curtas. São clássicos de grandeza rara. E quando nos tornamos expectadores de Chaplin, é improvável que não se seja impactado. Não um mero impacto, mas um impacto para toda a vida.

Trailer do Filme Tempos Modernos

Uma série de fotos raras de Charles Chaplin

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Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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4 respostas a Chaplin: a poesia e a ironia não precisam de palavras

  1. Nyck Carvalho diz:

    Tuas abordagens são bem elaboradas! Gostei dos teus argumentos!
    Até despertou o interesse de analisá-lo por outro ângulo.

  2. Ainda lembro que meus primeiros contatos visuais com os filmes de Chaplin foi durante o Festival Charles Chaplin, exibido na TV Globo há muito tempo atrás durante duas semanas na seção Corujão. Ainda era um adolescente, mas ficávamos abordados, eu e meu irmão, à espera dos filmes que já começavam bem tarde da madrugada. Desde então nunca mais o esqueci.

  3. Romário Silva da Silva diz:

    A minha satisfação é extrema com tantas agradaveis ponderações acerca de tão genial cineasta, como falar tao bem de um genio quando as palavras fogem, por nunca contemplarem o suficiente da grandiosidade da genialidade, chaplin foi um homem maior que seu tempo. Seu texto justifica bem o que ele ainda representa. Parabens, poucas pessoas se habilitariam a escrever com tanto entusiasmo, acerca de um genio pela maioria esquecido e filmes tao bons que muitos falam e poucos tiveram a decencia de vê-los e analisá-los com prazer. minhas congratulações.

  4. Kdanada diz:

    Seu texto falou tudo Ricardo. Particularmente só encontro uma palavra para descrevê-lo genial. Seus filmes são de uma sensibildade. Impossível dizer de qual gosto mais. Uma das cenas mais bonitas do “Grande Ditador” é o discurso final essa é sublime.
    bjos!

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