Wellington, o Estranho


A estranha

Quando você assistir o filme de Brian De Palma, baseado no primeiro romance do escritor estadunidense Stephen King, vai se recordar automaticamente do jovem carioca Wellington Menezes de Oliveira. 

Vítima?

(“Ah Ricardo todo mundo já escreveu sobre ele, já deu o que tinha de dar”, você pode dizer – ou pensar que seja -, mas eu estava esperando o devido momento para escrever sobre isso e com o devido distanciamento).

A protagonista do filme do De Palma, Carrie White, é uma uma garota quieta, isolada, e possue um comportamento que pode ser classificado de estranho. Por não se encaixar no padrão (essa palavra-clichê) do grupo no qual convive, ela sofre escárnios das colegas da escola, é envergonhada publicamente, é sempre zombada por todos, é uma solitária. Para quem já assistiu o filme (os que ainda não assistiram, corram para uma locadora logo!), é inevitável a associação com Wellington, que talvez tenha passado pela mesma coisa.

Estamos vivendo um problema muito grave na atualidade: a luta desesperada para se encaixar no padrão, e o isolamento feroz dos que não se enquadram. Isso está ficando fora do controle. As consequências só podem ser terríveis. O real problema não está somente no fato de que as pessoas que estão em voga, os “populares”, torturarem os “deslocados”, os “estranhos”, mas na reação destes. Uma pessoal com tendências a violência (ou nem precise ter, pois não somos de ferro e nem temos sangue de barata), mesmo que seja pouco, e que sofre do tal bullying acumule a raiva por anos, até o dia do estouro. Esse “estouro” pode se dar pela reação física através de uma briga, ou verbal, mas pode também ser muito mais drástica, como foi no caso de Wellington. Ele não estava atirando naquelas crianças daquele dia, estava atirando nos seus agressores da infância. O que ele fez foi uma reação, um “estouro” de tudo que ele havia acumulado em todos os anos em que ele tinha sido excluído, ridicularizado, zombado.

Quando que isso vai parar? Wellington não é o primeiro e nem vai ser o último. Se essa ditadura desse padrão estúpido continuar, ainda haverá mais welingtons por aí. O real problema está no que parece ser a incapacidade de conviver com o distinto, com o que foge da classificação de “normal”. Estamos no século XXI e ainda não aprendemos isso. Contudo temos que aprender logo, antes que mais gente sofra as consequências da burrice de um ser que auto-denomina-se racional, mas que muitas vezes não se comporta como se fosse.

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Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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6 respostas a Wellington, o Estranho

  1. Thamy diz:

    Ótima comparação. Os dois acharam formas para extravasar a raiva. Infelizmente todas acabaram em morte. Mas enfim,muitos já sofreram bulliyng e cada um reage do seu jeito. Claro que o que Wellington fez na é explicaçao lógica, mas a midia mostrou ele como apenas um monstro, mas assim como ele fez vitimas também foi uma.

  2. Elias diz:

    Veja só a coincidência, eu também citei o Wellington na minha última postagem, embora o assunto tratado seja outro. Quanto ao filme, vou tentar seguir a indicação e em relação ao caso ocorrido em Realengo, embora também pareça ser um ato de vingança tardio, acredito que foi mais do que isso, pois no vídeo que deixou ele parecia viver num mundo próprio, inclusive com amigos imaginários e por isso concordo com os psiquiatras quando dizem que tinha algum tipo de esquizofrenia, ou seja, não foi apenas a violência sofrida no passado a motivadora, embora tenha contribuído, mas também um distúrbio mental que talvez já sofresse desde a infância e como não foi tratado, piorou com o tempo.

    • Ele era esquizofrênico, sem dúvida. O bullying não foi o fator principal, mas foi um dos catalisadores. Mas a disscussão não o que impulsionou, mas a incapacidade de viver com aquilo que está fora do padrão.

  3. quase esquecendo, bela comparação com carrie a estranha

  4. Caro escritor, o atirador wellington disse em um de seus videos premeditados que não tem nenhuma relação em suas próprias palavras “o tal do bullying” , trata-se de delirios de esquizofrenia aonde ele tinha lampejos de estar vivendo em uma realidade paralela onde ele é puro e os outros impuros deveriam pagar por seus pecados.

    • John diz:

      Vc está enganado. Ele não usou o termo bullying, mas fala sobre as humilhações que sofriam e sobre professores e diretores que cruzavam os braços.

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