Metafísica Cristã: Uma Colcha de Retalhos.


As religiões foram criadas pelos homens. E mesmo os homens que as criaram não conseguem concordar com o que seus profetas, redentores ou gurus realmente disseram ou fizeram.

Christopher Hitchens

Quando vejo muitos cristãos defendendo suas doutrinas, suas crenças como se fossem revelações provindas de Deus, fico estupefato como a falta de informação pode obliterar a cosmo visão de alguém. Muitos cristãos desconhecem os alicerces de sua fé. O pensamento cristão sobre as coisas que estão além do físico, no âmbito espiritual, sua metafísica (Meta= além; Physis= físico), não é tão revelado assim quando analisamos a construção histórica dessa metafísica.

Os dois grandes sistemas metafísicos que fundamentam toda a lógica cristã de explicação do mundo são o platonismo e o aristotelismo. Contudo, antes da incorporação destes sistemas, o cristianismo entrou em contato com três tradições metafísicas, que influenciaram a construção de seu próprio sistema metafísico, que são: o Neoplatonismo, o Estoicismo e o Gnosticismo. Darei a você um breve resumo das principais idéias de cada um:

Neoplatonismo: é uma retomada do platonismo, mas com uma aura mística e espiritualista. “Os neoplatônicos afirmavam a existência de três realidades distintas por essência: o mundo sensível […], o mundo inteligível […], e, acima destes dois mundos, uma realidade suprema” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia). Este nosso mundo (o mundo sensível) é uma emanação do mundo inteligível. O humano participa do mundo inteligível através do seu intelecto. E por meio dele pode se purificar da matéria e ir além do conhecimento e alcançar a realidade suprema.

Plotino: um dos maiores pensadores do neoplatonismo. Influenciou o pensamento de sto. Agostinho.

Estoicismo: ao contrário do Neoplatonismo, nega a existência de outros mundos, de outras realidades, que transcende a esta. Os estóicos afirmavam a existência de uma Razão Universal ou Inteligência Universal que rege tudo que há no mundo, que eles nomeavam de Providência. Para participar desta Razão Universal, o humano teria que renunciar voluntariamente todos os instintos e aceitar tudo o que a Providência determinar.

 

 

Estoicismo: o comedimento cristão

Gnosticismo: esta tradição metafísica postulava existência de dois supremos princípios de onde toda realidade provinha: a luz imaterial, o Bem, e a treva material, ou seja, o Mal. Os gnósticos diziam que este mundo é resultado da “Vitória do Mal”, e que a salvação só seria alcançada por meio do intelecto e do “êxtase místico”.

Mesmo tendo sido condenado pelo cristianismo depois por ser mística demais, o Gnosticismo deixou seu legado na doutrina cristã

O que o cristianismo, que estava dando seus primeiros passos, fez quando se deparou com estas idéias? Aglutinou os aspectos que favoreciam sua explicação do mundo e das coisas, através de uma adaptação aos seus credos, suas crenças.

Do Neoplatonismo entre outras, surgiram as seguintes doutrinas:

  • Separação entre material e imaterial;
  • Separação entre Deus (que vive no mundo inteligível) e o mundo material (onde nós vivemos);
  • Adaptação do conceito de emanação, pois segundo os cristãos, este mundo (o sensível) não é uma emanação, mas criação de Deus;
  • A ideia de que o humano participa da divindade através da mediação de Jesus e o Espírito Santo, pois apenas pelo intelecto isto não é possível, tem que haver a graça.

Do Estoicismo o cristianismo pegou duas idéias:

  • A existência de uma Providência, divina e racional, mantenedora de tudo, e que governa todos;
  • O ser humano só alcançará a perfeição quando subjugar-se à Providência, através da abdicação (abandono para os leigos) de tudo o que for carnal e terreno. Isso não pode acontecer pelo intelecto ou pela vontade humana, mas somente pela fé e a graça provinda de Jesus.

Mesmo tendo sido, séculos depois, considerado uma heresia, o Gnosticismo deixou duas idéias no cerne da metafísica cristã:

  • O Mal de fato existe: ele é o demônio, o Diabo;
  • O pecado jaz no que é material, carnal, e que o mal age no mundo e no homem.

A metafísica cristã é um grande conglomerado de retalhos que formam um conjunto canhestro, logicamente desajeitado. Depois, com a descoberta das traduções de Aristóteles e Platão, feitas por Avicena, Averróis e outros pensadores árabes, que o cristianismo se tornou mais uma compilação de pensamentos e idéias “pagãs” do que o fruto da revelação divina.

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Sobre Ricardo Silva

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9 respostas a Metafísica Cristã: Uma Colcha de Retalhos.

  1. jvc diz:

    O neo-ateu comum se vê em um dilema: por um lado, o ser humano é a espécie mais evoluída, em disparado, em relação a todas as outras espécies do planeta. Por outro, o ser humano é a única espécie que majoritariamente sempre creu e adorou a Deus ou deuses, e se organizou em formas diferentes de religião. Isso a princípio não seria problema, a não ser pelo fato de os neo-ateus verem a crença em Deus como algo infantil e sinônimo de atraso e involução, ao invés de evolução. O ser humano teria evoluído mais que todos os outros animais e então teria caminhado por um rumo mais atrasado e involuído que todos eles. Isso não é apenas um paradoxo ateísta, mas um verdadeiro e gritante contrasenso.

    Para resolverem este problemático dilema, em que os ateus se vêem na difícil missão de conciliar a evolução das espécies com o Homo sapiens em seu grau mais elevado de evolução, e junto com isso a missão de zombar e infantilizar a crença em Deus que é característica da esmagadora maioria desta espécie mais evoluída – e somente desta espécie mais evoluída –, os ateus começaram a apelar para as teses mais alucinantes e mirabolantes para o surgimento da religião, ao ponto de o próprio Dawkins passar um capítulo inteiro discorrendo sobre isso sem chegar a nenhuma conclusão satisfatória.

    Um dos mais famosos argumentos ateístas sobre a religião é o argumento marxista, segundo o qual a religião é criada para a dominação social dos fortes sobre os fracos. Como todo e qualquer argumento marxista, ele só poderia ser tolo, superficial e facilmente refutável. Segundo essa visão, os líderes não acreditavam realmente que a religião que defendessem fosse verdadeira, mas eles a inventaram assim mesmo, para poderem se aproveitar dos leigos em cima disso. Marx demonstrou com isso não ser apenas um poço de ignorância na política, mas também na religião. Como Peter Kreeft discorre:

    “Porque os apóstolos mentiriam? Se eles mentiram, qual foi sua motivação, o que eles obtiveram com isso? O que eles ganharam com tudo isso foi incompreensão, rejeição, perseguição, tortura e martírio. Que bela lista de prêmios!”[1]

    De fato, historicamente falando, todos os apóstolos, com exceção de Judas (que suicidou-se), morreram martirizados, ou seja, foram mortos em função de sua fé. Eles preferiram morrer – muitas vezes de forma dolorosa e cruel – do que negar sua fé em Cristo. Eles poderiam ter tranquilamente negado a fé e saírem livres, mas preferiram viver uma vida humilde na terra, cheia de perseguições por todos os lados, e terminar com a expressão máxima da negação do “eu”. Geisler e Turek corretamente assinalam que “pessoas mal orientadas podem morrer por uma mentira que elas consideram ser verdade, mas não vão morrer por uma mentira que sabem que é uma mentira. Os autores do NT estavam em posição de saber a verdade real sobre a ressurreição”[2].

    A ironia fica maior ainda quando vemos que os maiores genocidas da história da humanidade foram ateus: Stalin, Hitler, Pol Pot, Mao Tsé-Tung, Lenin, Fidel Castro, Mussolini, etc. Eles não criam em Deus, não obedeciam uma religião nem reconheciam autoridades religiosas acima deles, mas isso nunca os impediu de trucidar qualquer um que vissem pela frente. Em outras palavras, o que o neo-ateu marxista quer nos convencer através deste argumento medíocre é que os líderes religiosos cristãos, como Pedro e Paulo, que foram perseguidos a vida inteira e sofreram o martírio, eram “opressores”, mas os verdadeiros genocidas, aqueles caras que nós realmente podemos chamar de “dominadores” – e ateus – eram pessoas “livres da dominação e opressão da religião”! Se você ainda acredita neste argumento marxista contra a religião, suicide-se. Não há solução pra você.

    O segundo típico argumento ateísta é de que a religião foi criada por necessidade, e não por dominação. Para os adeptos desta corrente, as pessoas que creem em Deus só decidem crer nele e seguir alguma religião formal porque são iludidas pela fantasia de uma vida eterna. Quem não quer “viver para sempre”? Todos querem. Então as pessoas começam a criar mitos que as iludam e que as façam pensar que realmente existe uma vida eterna em algum lugar e que vale a pena seguir uma religião para possuí-la. Em outras palavras, as pessoas “fracas” creem em Deus porque precisam crer nele por algo maior, mas os “fortes” já são maduros o suficiente para ter consciência de que isso não passa de uma ilusão (um delírio) e não precisam mais de Deus – e estes “fortes” são os ateus, logicamente!

    O problema com o “argumento da necessidade” é duplo. Em primeiro lugar, ele é uma falácia genética. Ele não nos diz nada sobre a existência ou inexistência de Deus, ele apenas explicaria por que tanta gente decide crer em Deus mesmo sem que ele exista. Perceba como que o “argumento” não prova a inexistência de Deus; ao contrário, ele toma a inexistência de Deus como uma verdade a priori e segue por esta linha. Em outras palavras, a falácia genética, ao invés de responder à pergunta: “Por que Deus não existe?”, tenta responder a pergunta: “Já que Deus não existe, então por que as pessoas acreditam nele?”. Não é uma evidência da inexistência de Deus e nem uma refutação dos argumentos teístas, mas somente uma falácia genética, tal como Craig explicou em seu debate com Peter Atkins[3]:

    Atkins – No outro lado do argumento, estão as razões porque as pessoas acreditam em Deus. Eu posso entender porque as pessoas creem em Deus. É um senso de estar sozinho, é um senso de perplexidade…

    Craig – Eu não vejo desta forma. Como isso não comete a falácia genética de tentar dizer que, explicando como uma crença foi originada, você, dessa forma, prova que a crença é falsa? Mesmo se fosse verdade que a crença na existência de Deus fosse o produto de medo e ansiedade e assim por diante (o que eu não admito), isso seria uma falácia genética, que é dizer que, porque é assim que a crença se originou, então a crença é falsa.

    E mesmo que houvesse pessoas que creem em Deus por necessidade, por quererem uma vida eterna, isso não significa que todos creiam em Deus por esta razão, e muito menos significa que “Deus não existe” porque há pessoas que só creem por necessidade! Isso seria o mesmo que eu dissesse que “há ufólogos que só creem em extraterrestres porque querem que extraterrestres existam”. Isso é verdade? Sim. Mas isso prova que extraterrestres não existem? Lógico que não. Nem sequer é uma evidência disso!

    Em segundo lugar, o fato de muitas pessoas sentirem “necessidade” por Deus deveria ser encarado de forma negativa? Para os neo-ateus, sim. Mas não precisamos ver a questão por este ângulo. Há milhares de coisas que nós temos necessidade e que de fato existem. Por exemplo, eu tenho necessidade de água, e essa água existe para suprir a minha necessidade dela. Por que, então, nós teríamos “necessidade” de Deus, mas este Deus necessariamente não existiria? Ninguém falou melhor sobre isso do que C. S. Lewis quando disse:

    “As criaturas não nascem com desejos a menos que a satisfação para tais desejos exista. Um bebê sente fome: bem, há algo como a comida. Um patinho quer nadar: bem, há algo como a água. Os homens sentem desejo sexual: bem, há algo como o sexo. Se descubro em mim mesmo um desejo que experiência alguma neste mundo pode satisfazer, a explanação mais provável é que fui feito para um outro mundo”[4]

    Afirmar que os teístas só creem em Deus porque desejam que Deus exista é semelhante a afirmar que os neo-ateus só não creem em Deus porque desejam que ele não exista, e desta forma possam viver suas vidas da forma que bem entenderem, ao invés de ter que seguir certos padrões morais extraídos da Escritura e da moral judaico-cristã. De fato, muitos ateus são ateus por causa disso – para se verem livres de qualquer responsabilidade. Eles desejam que Deus não exista, e por isso creem que Deus não existe. Mas nem o primeiro caso (do teísta que deseja que Deus exista) prova que Deus não existe, nem o segundo caso (do ateu que deseja que Deus não exista) prova que Deus existe. São falácias genéticas e, como tais, devem ser descartadas da discussão inteligente e séria.

    Há também um terceiro argumento, muito típico dos neo-ateus, que funciona basicamente da seguinte maneira:

    Neo-ateu toddynho – Você só é cristão porque nasceu em um país cristão e foi criado por pais cristãos! Se tivesse nascido no Oriente Médio seria muçulmano! Se tivesse nascido na Índia seria hindu! Se tivesse nascido em Israel seria judeu! Rá, te peguei!!! Onde está o teu deus agora???

    O próprio Dawkins, apesar de não ter usado este argumento em seu livro, já o utilizou diversas vezes em suas palestras[5]. Novamente, a falácia genética entra em cena. Se eu te dissesse que “você só é corinthiano porque os seus pais são corinthianos!”, isso provaria a inexistência do time do Corinthians? Infelizmente, não. Mas os neo-ateus pensam que se alguém diz que “você só é cristão porque seus pais são cristãos!”, o Cristianismo está refutado e Deus não existe!

    Richard Bushey também destacou:

    “Esta frase parece ser algo do tipo, ‘se tu tivesses nascido na China, muito provavelmente serias comunista’, ou ‘se tivesses nascido na União Soviética, serias um ateu’. E depois? A forma como as pessoas passaram a ter uma crença não nos diz nada sobre a veracidade dessa mesma crença. Eu posso aprender que a Terra é redonda num livro para crianças, mas esse livro pode não ser uma forma óptima para se obter conhecimento científico. Mas mesmo assim, a minha crença de que a Terra é redonda é válida. Com este argumento, Dawkins dá um exemplo clássico da falácia genética; ele tenta demonstrar a origem duma crença, e com isso ‘prova’ que essa crença é falsa”[6]

    Dizer que “a única razão de você acreditar no Cristianismo é por ter sido criado em um país cristão; portanto, o Cristianismo é falso” é equivalente a afirmar que “a única razão de você acreditar na democracia é por ter sido criado em um país democrático; portanto, sua visão de que a democracia é a melhor forma de governo é falsa”.

    NEO-ATEU
    ANTI-DEMOCRATA
    “A única razão de você acreditar no Cristianismo é por ter sido criado em um país cristão; portanto, o Cristianismo é falso”
    “A única razão de você acreditar na democracia é por ter sido criado em um país democrático; portanto, sua visão de que a democracia é a melhor forma de governo é falsa”
    No entanto, isso não prova que a democracia é “falsa” ou que não seja a melhor de todas as opções a ser seguida, apenas mostra, no máximo, que nós temos uma tendência maior a sermos democratas quando vivemos em países democráticos – mas não refuta a existência ou natureza da democracia. Ou, então, o que você pensaria de alguém que te dissesse que “você só apoia a República porque vive no século XXI, mas se vivesse no século XVIII apoiaria a Monarquia”? Isso não nos diz que a República não é melhor que a Monarquia, apenas mostra que podemos ter mais tendência a sermos republicanos por estarmos no século XXI.

    Mais uma vez, essa falácia não tem absolutamente nada a dizer a respeito da veracidade ou não do Cristianismo, ou acerca da existência ou inexistência de Deus. No máximo ela pode explicar o porquê que a maioria de nós somos cristãos em um país cristão, e o porquê que a maioria das pessoas que vivem em países oficialmente ateus são ateus (grande coisa!). Cabe ressaltar que, em função da evangelização e globalização, está cada vez mais comum que alguém que vive em um “país cristão” (no sentido de ser historicamente majoritariamente cristão) não seja cristão, assim como está cada vez mais comum que alguém que não vive em um “país cristão” seja cristão. Dois dos maiores apologistas cristãos da atualidade, Dinesh D’Souza e Ravi Zacharias, nasceram na Índia. E Dawkins é britânico, onde existe até religião oficial do Estado[7]!

    A teoria memética de Dawkins

    Em seu livro, Dawkins menciona de passagem essas argumentações ateístas sobre a religião e diz que nenhuma delas é suficientemente satisfatória. Que surpresa. Então ele cria uma teoria alternativa, baseada no conceito memético que ele criou em seu livro “O Gene Egoísta” (1976). O problema é que nem mesmo o próprio conceito de “meme” é bem aceito na comunidade científica. São muitos os cientistas que o tem caracterizado como uma “pseudociência” (curiosamente, o mesmo termo que aplicam ao criacionismo que Dawkins tanto detesta!). O biólogo e especialista em neurobiologia Steven Rose declarou em seu livro “Não em Nossos Genes” que o conceito memético de Dawkins é reducionista e conduz ao determinismo biológico – o qual Dawkins paradoxalmente sempre está tentando evitar em seus debates.

    Dawkins parte de um princípio que é visto com desconfiança pela comunidade científica, e em cima deste princípio duvidoso ele cria um outro princípio, que na verdade é a aplicação deste conceito no que diz respeito à religião – já dá para perceber que não há embasamento científico consistente. A argumentação de Dawkins neste ponto foi tão fraca que até mesmo o famoso evolucionista brasileiro Marcus Valério, agnóstico, declarou que ficou “decepcionado pela falta de uma teoria memética mais forte”[8].

    Dawkins bate forte na tecla de que a religião é uma espécie de vírus que vai sendo transmitido pelos memes da espécie humana – um “vírus” que, paradoxalmente, levou milhões de pessoas a comportamentos morais mais altruístas e sociais em relação ao próximo do que o ateísmo jamais foi capaz de fazer. E, mais paradoxalmente ainda, aqueles que não tinham esse “vírus” (ditadores ateus que nós já conhecemos bem) assassinaram muito mais gente em um século do que os religiosos “com o vírus” já mataram em vinte séculos – isso sem falar da enorme desproporção entre a população teísta e ateísta. Os ateus estão em bem menor número, mas mataram muito mais gente.

    Mesmo assim, é importante para Dawkins manter de pé seu conceito de que “religião é um vírus”, o que transmite uma noção de insanidade mental a bilhões de pessoas no mundo que são religiosas, sendo que somente os ateus estão “sãos”, curados e totalmente imunes a este “vírus”. É a velha tática do “ateus fortes; teístas fracos”, que é um merchandising ateísta que tem como única finalidade aumentar o ego do ateu, para que ele se veja como “superior” e “mais evoluído” do que os não-ateus. Ou, para ser mais claro, só serve para tirar neo-ateus “toddynho” do armário – que é o propósito maior da obra de Dawkins.

    O conceito memético de Dawkins contra a religião é, além de tudo, autocontraditório, em especial em relação ao capítulo em que Dawkins ataca a religião como “a raiz de todos os males”. David Robertson acentua:

    “E outra vez há uma incongruência no argumento ateísta que está sendo usado aqui. Por um lado, o senhor sustenta que os deuses são conceitos sociais das várias tribos/povos da humanidade. Por outro, afirma que a religião é a causa das várias cisões e rivalidades étnicas. O que é isso? Os povos inventam religiões para que possam guerrear uns contra os outros, ou a religião cria povos que, devido à religião deles, odiar-se-ão e combaterão um ao outro?”[9]

    Nós não precisamos explanar mais as contradições de Dawkins neste ponto porque Alister McGrath, que além de teólogo é também pós-doutorado em biofísica, já fez um excelente trabalho a este respeito em “O Delírio de Dawkins”, refutando com mais profundidade os erros que Richard comete nesta parte de seu livro. Por hora, basta observar que Dawkins e demais neo-ateus em geral falham miseravelmente sempre quando tentam colocar o ateísmo como a “posição-padrão” dos seres humanos, e a crença em Deus como algo irracional ou fora da curva. A realidade mostra exatamente o contrário.

  2. José Victor César diz:

    http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2014/12/as-provas-historicas-da-existencia-de.html
    No artigo anterior provamos historicamente a existência de Jesus por diferentes autores não-cristãos que conviveram na época de Cristo ou pouco depois, e da existência dos cristãos ainda no primeiro e no segundo século, o que aniquila a tese de que Cristo tenha sido uma invenção elaborada por charlatões que buscavam engrandecer seus próprios nomes e tomar vantagem dos outros. Os ateus não têm qualquer coisa para refutarem decentemente as provas históricas da existência de Jesus, mas ainda possuem uma última carta na manga: Zeitgeist.

    Zeitgeist trata-se de um filme sensacionalista baseado puramente em teorias da conspiração, envolvendo não apenas a pessoa de Jesus Cristo, mas também os atentados de 11 de Setembro e o Banco Central dos Estados Unidos. Em qualquer lugar onde as pessoas tivessem um mínimo de senso crítico, inteligência e raciocínio próprio, ninguém daria o menor crédito a este falso documentário que já foi desmentido milhares de vezes por especialistas e estudiosos da área, mas em um país onde a principal atração é o Big Brother Brasil e uma das principais “manifestações culturais” é o funk, já se podia esperar que milhares de incautos fossem iludidos sem a menor dificuldade, engolindo qualquer informação mentirosa que lhes é passada.

    Mais de 80% das fontes de Zeitgeist não são fontes primárias, mas são tiradas de outros livros (também igualmente sensacionalistas e conspiracionistas). Ou seja: só pelas fontes já seria suficiente para qualquer estudioso sério perder qualquer consideração e respeito por esse documentário. Se eu digo que Leonardo da Vinci foi um sumo sacerdote do satanismo, que tinha pacto com o diabo e que as suas pinturas não eram dele, mas roubadas ou plagiadas de algum Fulano de Tal, ou tenho que provar essas acusações sérias com alguns (ou muitos) documentos históricos daquela época que provem isso. Mas se 80% de todas as minhas “provas” são livrinhos escritos por amiguinhos meus que também são loucos por alguma teoria conspiratória, isso não me daria qualquer crédito.

    Infelizmente, é isso o que Zeitgeist faz do início ao fim: um verdadeiro show de desinformação e desconhecimento histórico, deixando claro que foi feito por alguém que estava desesperado em reunir o maior número de “provas” contra o Cristianismo, mesmo que para isso tivesse que lançar mão de fontes nada confiáveis, ou de fatos que já se provaram o contrário. Porque o propósito, como já foi dito, nunca foi de provar nada, mas de apenas passar mais uma teoria de conspiração.

    O Dr. Chris Forbes, professor da Universidade de Macquarie (Sydney), doutor em história do Novo Testamento e membro do Sínodo da diocese de Sydney refutou as mentiras ditas em Zeitgeist em uma entrevista de sete minutos, mostrando inúmeras farsas naquilo que foi exposto[1]. Em meu site “Apologia Cristã” também mostro um documentário de uma hora e meia de duração, com vários depoimentos de estudiosos que refutaram parte por parte dos embustes elaborados pelos conspiracionistas, que também estará na nota de rodapé deste livro.[2]

    Basicamente, o que o filme pretende mostrar é que Jesus Cristo foi um mito inventado pelos cristãos, que eram tão burros que copiaram igualzinho os outros mitos daquela época, nem fizeram questão de disfarçar, e que eles deram as suas vidas em martírio por esse mito inventado por eles. Primeiramente vejamos o que foi alegado:

    Mitra (persa – romano) 1200 a.C
    • Nasceu dia 25 de Dezembro;
    • Nasceu de uma virgem;
    • Teve 12 discípulos;
    • Praticou milagres;
    • Morreu crucificado;
    • Ressuscitou no 3º dia;
    • Era chamado de “A Verdade”, “A Luz”;
    • Veio para lavar os pecados da humanidade;
    • Foi batizado;
    • Como deus, tinha um “filho”, chamado Zoroastro.

    Attis (Frígia – Roma) 1200 a.C.
    • Nasceu dia 25 de dezembro;
    • Nasceu de uma virgem;
    • Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
    • Ressuscitou no 3º dia;

    Krishna (hindu – índia) 900 a.C
    • Nasceu dia 25 de Dezembro;
    • Nasceu de uma virgem;
    • Uma estrela avisou a sua chegada;
    • Fez milagres;
    • Após morrer, ressuscitou.

    Dionísio (Grego) 500 a.C
    • Nasceu de uma virgem;
    • Foi peregrino (viajante);
    • Transformou água em vinho;
    • Chamado de Rei dos reis, Alpha e ômega;
    • Após a morte, ressuscitou;
    • Era chamado de “Filho pródigo de Deus”.

    Mesmo se tudo isso fosse mesmo verdade (o que veremos mais adiante que não é), o que é que isso provaria? Dado o incontável número de deuses existentes no paganismo e as inumeráveis histórias e fatos que os envolvem, poderia não ser mais que coincidência que alguns deles se cruzassem em alguns aspectos. Afirmar que por conta disso Jesus seria um plágio desses mitos pagãos seria tão inteligente quanto alegar que John Kennedy foi um plágio de Abraham Lincoln e que por isso ele é um mito que não existiu realmente, dadas as seguintes coincidências:

    • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
    • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
    • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
    • John F. Kennedy foi eleito presidente em 1960.
    • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
    • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
    • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
    • Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
    • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
    • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
    • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
    • A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
    • A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas.
    • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
    • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
    • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
    • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
    • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
    • Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
    • Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras.
    • Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
    • Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num teatro.
    • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
    • O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham.
    • O teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
    • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
    • Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln…
    • Antes de ser morto, Lincoln esteve em Monroe, Maryland.
    • Antes de ser morto, Kennedy esteve com Marylin Monroe.

    Se tamanhas semelhanças entre Lincoln e Kennedy não significa que um é um plágio do outro, por que algumas semelhanças entre Cristo em algum deus mitológico deveriam servir de “prova” para um suposto plágio do Cristianismo? Mas para não deixar as fraudes ateístas sem respostas, examinaremos ponto a ponto para vermos se essas informações procedem.

    1º Nascimento no dia 25 de Dezembro

    Em momento nenhum a Bíblia diz que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, ou ao menos indica isso. Ao contrário, as evidências bíblicas apontam que Jesus nasceu em Agosto. Ele nasceu pouco antes da morte de Herodes, quando José foi a Belém com sua família para participar do recenseamento. Esse recenseamento historicamente ocorreu quatro anos antes da morte de Herodes, que ocorreu em 4 a.C. Consequentemente, isso nos leva ao ano 8 a.C. Mas os judeus dificultaram a tentativa dos romanos em contarem todo o povo, razão pela qual, historicamente, nas terras judaicas esse recenseamento ocorreu um ano depois das outras terras dominadas pelo império romano. Ou seja: ocorreu em 7 a.C.

    Esse recenseamento em Belém ocorreu no oitavo mês, ou seja, em Agosto. Daí se conclui que Jesus nasceu em Agosto de 7 a.C. Outro fato que corrobora com essa data é de que, de acordo com os registros locais, Jesus foi apresentado no templo em um sábado do mês de Setembro daquele ano. Em 7 a.C houve quatro sábados: 4, 11, 18 e 25. Como os censos em Belém ocorreram entre 10 e 24 de Agosto, o sábado de apresentação foi o de 11 de Setembro, pois a purificação das mulheres teria que ocorrer até os vinte e um dias após o parto.

    Portanto, Jesus nasceu poucos dias depois de 21 de Agosto de 7 a.C, e não em 25 de Dezembro. Se os escritores bíblicos plagiaram os mitos pagãos para formarem Jesus, teriam dito que ele nasceu em 25 de Dezembro, o que sabemos historicamente à luz da Bíblia que não aconteceu. Ao contrário: nenhum deles falou de 25 de Dezembro em parte nenhuma.

    A fixação da data de 25 de Dezembro se deu apenas no quarto século d.C de forma comemorativa, pela Igreja Católica. O objetivo com isso era de âmbito político: devido ao ecumenismo praticado pela Igreja da época criou-se essa data comemorativa do nascimento de Jesus como sendo em 25 de Dezembro, para a fácil aceitação dos pagãos que tiveram que se converter ao Cristianismo após este se tornar a religião oficial do império romano. Visando a conversão e aceitação deles, fixou-se essa data. Mas nada na Bíblia, nem nos primeiros três séculos de Cristianismo, aponta para 25 de Dezembro como uma data do nascimento de Jesus, o que deita por terra as teses de que os autores bíblicos fizeram uso de mitos pagãos para “criarem” Jesus Cristo.

    2º Três reis magos

    É alegado pelos conspiracionistas que em alguns mitos pagãos os deuses foram recebidos por três reis magos, que seguiam a estrela Sirius. Nada mais falso do que isso. Na verdade, o relato bíblico não fala de reis, não fala de “três” e não fala de Sirius! O que o texto bíblico simplesmente diz é isso:

    “Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém” (Mateus 2:1)

    Em momento nenhum a Bíblia afirma que eram reis, mas que eram magos. Se esses magos também eram reis ou não, é algo que a Escritura simplesmente silencia. A afirmação de que eram “três” também é falsa. Em lugar nenhum o relato diz que eram três, o que talvez alguns erroneamente deduziram do número de presentes: ouro, incenso e mirra. Mas podem ter sido muitos magos trazendo (cada um deles) esses três presentes, ou então um número menor trazendo mais presentes. O número de presentes não determina o número de magos!

    A ideia de que eram três reis magos provém do século VII d.C, já muito tempo depois de Jesus, quando a Igreja Católica decidiu aceitar a sugestão de São Beda (673-735), que disse que os magos eram reis e que eram três. Mais uma vez, é preciso reafirmar: trata-se de uma tradição católica, e não cristã. Não está registrada na Bíblia, mas na tradição deles. Nenhum apóstolo, evangelista ou escritor bíblico se baseou nessa interpretação ao escrever a Bíblia.

    A hipótese de que a estrela que os magos seguiram era Sirius é refutada em Mateus 2:7, que afirma que essa estrela era nova, ela tinha “aparecido” há pouco tempo. Não podia ser Sirius, que já ela era muito bem conhecida pelos astrólogos daquela época e até cultuada em muitos povos pagãos. Portanto, não há nada em Mateus 2:1 que faça qualquer alusão a qualquer mito pagão que seja.

    Por fim, é interessante notarmos a figura dos pastores que foram visitar Jesus quando este ainda era recém-nascido (Lc.2:8-18). Nos mitos pagãos, os deuses sempre estavam associados apenas a riquezas, a glória, a honra. Jesus aparece sendo visitado por pessoas pobres no seu nascimento, diferente dos deuses que eram cercados apenas de outros deuses ricos e poderosos. A descrição bíblica do Deus encarnado nascendo em uma simples e humilde manjedoura, vivendo entre os pobres, não tendo sequer onde repousar a cabeça (Mt.8:20) e morrendo entre dois condenados desassocia completamente Jesus dos mitos pagãos, onde o que sempre ocorria era o inverso.

    3º O nascimento virginal

    De todas as alegações dos conspiracionistas essa é certamente a mais ridícula. Em primeiro lugar, tudo o que se sabe sobre tais deuses pagãos é através de desenhos. Seus seguidores não escreveram nada. Como iriam então desenhar uma mulher virgem? A única diferença entre a virgem e a não-virgem é interna. Teriam seus seguidores desenhado as genitálias femininas com o hímen intacto? É claro que não. Então quem foi que deu a ideia de que tais deuses eram fruto de um nascimento virginal?

    Em segundo lugar, é mentira que os desenhos não retrataram histórias que incluíam um relacionamento físico para gerar esses deuses. Hórus não foi concebido milagrosamente por uma virgem, mas por relação sexual da deusa Isis com o deus Osíris.

    Em suma, não é apenas ridícula a afirmação de que tais deuses eram fruto de nascimento virginal: é uma afirmação mentirosa. Simplesmente não existem registros de algum mito pagão onde um deus tenha sido gerado milagrosamente pela operação do Espírito Santo, sem qualquer fecundação resultando do casal sagrado (entre um casal de deuses) ou do ato sexual entre um deus disfarçado de ser humano e uma mulher mortal.

    Tome como exemplo uma das histórias de Dionísio. Segundo essa versão, Zeus foi a Perséfone disfarçado de serpente e a engravidou. Portanto, tirou sua virgindade. Em outra versão, ele se aproximou de Semele disfarçado de homem mortal e ela engravidou. Então, a rainha de Zeus, Hera, tomara de ciúmes, foi até a casa de Semele disfarçada de uma mulher idosa, sugerindo que a história que Zeus era o rei dos deuses poderia ser mentira e que ele era um simples mortal querendo se aproveitar da inocência dela.

    Quando Zeus voltou a visitá-la, ela pediu, sob juramento, que ele aparecesse a ela como aparecia a Hera. Zeus, cumprindo o juramento, apareceu com toda a sua glória, o que reduziu Semele às cinzas. Hermes salvou o feto e o conduziu a Zeus, que o costurou à sua coxa e, depois de três meses, deu à luz a Dionísio. Diante de tudo isso, fica a pergunta: qual ser humano pensante nesse planeta terra iria achar que a história bíblica do nascimento virginal de Jesus tem algum paralelo ou “plágio” com a história do nascimento de Dionísio ou dos outros deuses pagãos? Só um oportunista ou um ignorante.

    Nos outros mitos a coisa piora ainda mais. Em Hórus, por exemplo, de acordo com a The Encyclopedia of Mythica, depois de seu pai Osíris ser assassinado e ter seu corpo mutilado em quatorze pedaços por seu irmão Set, íris (esposa de Osíris) recuperou e remontou o corpo, e em conexão pegou o papel da deusa da morte e dos funerais. Então, ela se engravidou pelo corpo de Osíris e deu à luz a Hórus nos rios de Khemnis. Esse relato de concepção necrofílica nada tem a ver com o relato bíblico, chega a ser patético alguém ver isso e ainda comparar com o nascimento virginal de Jesus, que é totalmente diferente na narrativa bíblica.

    Em conclusão, os historiadores e eruditos Raymond Brown e R. E. Brown comentam:

    “Em suma, não há nenhum exemplo claro de concepção virginal no mundo ou nas religiões pagãs que plausivelmente poderia ter dado aos judeus cristãos do primeiro século a ideia da concepção virginal de Jesus”[3]

    “Paralelos não judaicos têm sido encontrados nas religiões mundiais (O nascimento de Buda, de Krishna e do filho de Zoroastro), na mitologia greco-romana, nos nascimentos dos faraós (com o deus Amon-Rá agindo através do seu pai) e nos nascimentos sensacionais dos imperadores e filósofos (Augusto, Platão etc…). Mas esses ‘paralelos’ sempre envolvem um tipo de hieros gamos em que um macho divino, em forma humana ou outra, insemina uma mulher, seja através do ato sexual normal, seja por meio de uma forma substituta de penetração. Eles não são realmente semelhantes à concepção virginal não-sexual que está no âmago das narrativas da infância de Jesus, concepção esta em que nenhum elemento ou deidade macho insemina Maria… Portanto, nenhuma busca por paralelos nos tem dado explicação verdadeiramente satisfatória de como os primitivos cristãos chegaram à idéia de uma concepção virginal – a menos, é claro, que ela realmente tenha acontecido historicamente”[4]

    Esse é um clássico exemplo de como os conspiracionistas agem para enganar os mais desprevenidos. Usam uma informação falsa, em cima de uma história completamente diferente do relato bíblico, que pela mera descrição do suposto “nascimento virginal” dos deuses pagãos leva muitos a crerem que o que ocorreu ali foi algo próximo do relato bíblico de Maria dando à luz a Jesus por um ato milagroso do Espírito Santo, quando, na verdade, é absurdamente antagônico.

    4º Jesus e seus doze anos

    É alegado que alguns deuses de mistério, como Hórus, efetuavam grandes milagres e maravilhas quando tinham 12 anos, assim como Jesus. Essa informação é falsa. Não há um único registro de qualquer milagre que Jesus tenha feito enquanto criança ou jovem. Os evangelhos de Mateus, Marcos e João nada falam sobre a adolescência de Jesus, e Lucas, o único que conta alguma coisa, cita apenas a obediência do menino Jesus aos seus pais (Lc.2:51) e ele conversando com os mestres da lei no templo (Lc.2:46). Sem retoques, sem milagres, sem grandes exibições ou maravilhas.

    Já com os mitos pagãos, a coisa era totalmente diferente. Já garotos eles faziam coisas sobrenaturais, mágicas, prodígios e todos os temiam. Totalmente diferente da infância de Jesus! Se os evangelistas tivessem plagiado alguma coisa dos mitos pagãos, teriam obviamente retratado a infância de Jesus com muita ênfase e repleto de detalhes sobrenaturais, o que nunca fizeram. Apenas um dos quatro evangelistas escreveu alguma coisa sobre a infância de Jesus, e mesmo ele não deu qualquer destaque a algum milagre ou façanha sobrenatural que ele possa ter feito.

    5º A ressurreição

    Outra afirmação comum dos conspiracionistas é que a ressurreição de Jesus foi um plágio dos mitos pagãos. Se isso é verdade, esperaríamos encontrar muitos relatos de deuses morrendo e ressuscitando fisicamente para o mundo dos vivos ao terceiro dia. Mas isso nunca ocorre com nenhum deles. Nunca. Examinaremos caso por caso:

    • Adonis. Não há sequer uma única evidência nem nos textos antigos nem nas representações pictográficas de que Adonis tenha ressuscitado, como afirmam alguns.

    • Áttis. Somente depois de 150 d.C houve a sugestão de que ele teria sido um deus ressurreto. Como os cristãos do século I teriam plagiado uma história mitológica que ainda não existia? Além disso, não há nada que se pareça com o uma ressurreição corpórea no mito de Áttis. Em uma das versões, ele teria voltado à vida de forma vegetativa, apenas os pêlos do seu corpo continuavam a crescer e ele movia apenas um dos dedos, de forma involuntária. Em outra versão, Áttis volta à vida na forma de uma árvore. Nenhuma dessas versões tem qualquer ligação com a ressurreição física, corporal e gloriosa de Jesus Cristo.

    • Osíris. A versão do mito de sua morte e “ressurreição” é encontrada em Plutarco, que escreveu no segundo século d.C. Novamente, mais de um século depois da época de Jesus e dos primeiros cristãos. E mesmo essa versão difere radicalmente da ressurreição de Jesus. Osíris teria sido assassinado por seu irmão que o afundou em um caixão no Nilo. Ísis descobriu o corpo e o conduziu novamente ao Egito, mas seu cunhado ganha o acesso ao corpo e o mutila em quatorze pedaços, atirando-os para longe. Ísis procura e encontra cada um desses quatorze pedaços, restaura o corpo de Osíris e este passa a ser um deus no mundo dos mortos.

    Essa visão é completamente oposta à noção cristã da ressurreição de Jesus. Em primeiro lugar, porque Jesus não teve nenhum de seus ossos quebrado (Jo.19:36), enquanto Osíris foi mutilado em quatorze pedaços. Segundo, porque a ressurreição de Jesus foi para esta vida (mundo dos vivos), enquanto que a “ressurreição” de Osíris, se é que podemos chamar de ressurreição, foi para habitar no mundo dos mortos. Em outras palavras, ele não ressuscitou tecnicamente: ele apenas morreu e foi para o mundo dos mortos, jamais voltando à terra dos viventes, como ocorreu com Jesus. Como disse Roland de Vaux:

    “O que significa Osíris ter ‘levantado para a vida’? Simplesmente que, graças à ministração de Ísis, ele pôde levar uma vida além da tumba que é quase uma perfeita réplica da existência terrestre. Mas ele nunca mais voltará a habitar entre os viventes e reinará apenas sobre os mortos… Esse deus revivido é, na realidade, um deus ‘múmia’”[5]

    • Krishna. Ele foi morto por um caçador que, sem intenção, atirou em seu calcanhar, e, em seguia, ascendeu aos céus. Não houve qualquer ressurreição aqui, e ninguém o viu ascender. Krishna jamais voltou à vida terrena. Além disso, como nos conta Benjamim Walker, “não pode haver qualquer dúvida de que os hindus pegaram emprestado os contos [do Cristianismo], mas não o nome”[6]. Isso porque o Bhagavata Purana é datado entre o sexto e o décimo primeiro século d.C, e o Harivamsa foi composto entre o quarto e o sexto século.

    Portanto, não há nenhum paralelo entre a ressurreição de Jesus e a ressurreição dos deuses mitológicos de mistério. Nos mitos pagãos, os deuses simplesmente desaparecem ou morrem. Os que desaparecem retornam porque não haviam morrido, e os que morrem não retornam. A ressurreição de Jesus é o único caso na história antiga de um Deus encarnado morrendo em forma humana e retornado à vida terrena. Como diz Mettinger:

    “Desde a década de 1930… um consenso tem se desenvolvido de que os ‘deuses que morrem e ressuscitam’ morreram, mas não retornaram ou se levantaram para viver novamente… Aqueles que pensam diferente são vistos como membros residuais de espécies quase extintas”[7]

    Na concepção judaica, nenhum dos mitos pagãos ressuscitou realmente dos mortos, e não é senão a partir do terceiro século d.C que encontramos material mais sólido sobre as religiões de mistério que permitem uma reconstrução de seu conteúdo. Como mostrou Pierre Lambrechts, os textos que se referem à ressurreição dos deuses são muito tardios, do segundo ao quarto século d.C, e mesmo nestes casos não há um único que seja pelo menos parecido com a ressurreição de Jesus.

    6º Adjetivos dos deuses mitológicos

    Os ateus afirmam que os nomes bíblicos para Jesus, como “Luz do Mundo”, “Alfa e Ômega”, e “Cordeiro de Deus” (dentre outros) foram copiados dos mitos pagãos. Será mesmo? Examinaremos isso agora.

    • Luz do mundo. Os deuses pagãos eram chamados de “luz do mundo” por sua associação com o sol, que é a luz do mundo. O sol era adorado em muitos povos pagãos. O Novo Testamento, porém, em momento nenhum ensina a adoração ao sol, e mesmo quando chama Jesus de luz o faz em um contexto totalmente diferente dos mitos pagãos, pois fala de uma luz espiritual e não literal (Lc.8:12). A “luz” dos deuses pagãos era uma luz literal que é emitida pelo sol para salvar a vida na terra, já a “luz” de Cristo diz respeito à salvação do pecado e da morte espiritual. Portanto, uma coisa nada tem a ver com a outra.

    Além disso, vale destacar que Jesus disse que nós também somos a luz do mundo (Mt.5:14), algo que um deus pagão jamais faria, pois esse título seria exclusividade dos deuses em função do poder exercido por eles sobre os humanos. Sendo assim, a “luz” no contexto cristão nada tem a ver com a “luz” do contexto pagão, e o título que no paganismo é atribuído somente aos deuses é no Novo Testamento dado a todos os cristãos (o que era absurdo e inadmissível no paganismo), o que mostra diferenças marcantes entre um e outro.

    • Salvador. Se os deuses pagãos alguma vez foram considerados “salvadores”, o foram em função do sol, que salva a vida existente na terra. Mas será que isso foi um “plágio” dos escritores bíblicos? Se fosse um plágio, Jesus seria considerado salvador no mesmo sentido que os deuses pagãos eram considerados salvadores. Mas nunca vemos esses deuses salvando alguém do pecado, ao contrário: o conceito de “pecado” é judaico-cristão, nem existia no paganismo. A “salvação”, ao invés de ser de uma morte física, trata-se da morte espiritual, isto é, do pecado. Um conceito totalmente antagônico em relação aos deuses de mistério.

    Attis, por exemplo, em momento nenhum agiu como um “redentor”, nem sua religião oferecia a “salvação em Attis”. Krishna era um “salvador” guerreiro e terreno que lutou para libertar seu povo do tirânico reinado de Kamsa. Nada tem a ver com a salvação de Jesus Cristo, que não era de ordem temporal. Ao contrário: ele disse seu Reino não era deste mundo (Jo.18:36).

    • Filho de Deus. Qualquer deus que fosse filho de um outro deus era considerado “filho de Deus”, portanto obviamente muitos deuses pagãos tinham esse título. A pergunta que fica é: se Jesus é o Filho de Deus, teria sido esse título tirado dos mitos pagãos? Se isso fosse verdade, a Bíblia jamais diria que nós também somos filhos de Deus, como afirma claramente (Jo.1:12). Isso nunca aconteceu em nenhum mito do paganismo, pois “filho de Deus” era um título exclusivo dos deuses, nunca dos seres humanos mortais. Se o Novo Testamento nos chama de filhos de Deus, é óbvio que ele não foi influenciado pelos mitos pagãos que diziam o contrário.

    • Alfa a Ômega. Não há qualquer registro de um deus pagão com esse título. Alguns afirmam que Dionísio tinha esse título, mas não há qualquer registro histórico ou arqueológico que confirme tal tese. Jesus é o Alfa e o ômega porque ele não tem Princípio e nem Fim, ou seja: porque ele é eterno. Já os deuses pagãos eram criados, eram filhos naturais por relações de outros deuses, portanto não podiam ser “Alfa e Ômega”.

    • Cordeiro de Deus. Outro título que jamais foi aplicado a qualquer deus mitológico. A expressão “cordeiro de Deus” não provém do paganismo, mas do judaísmo, que costumava sacrificar cordeiros como sacrifício pelo pecado. Jesus, portanto, é tratado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), como sendo o sacrifício completo, final e definitivo. Esse termo não pode ter sido tomado do paganismo pela simples razão de que os pagãos não sacrificavam cordeiros. No mitraísmo, por exemplo, eram sacrificados touros. Se os apóstolos tivessem plagiado as ideias pagãs, teria dito que Jesus era o “Touro de Deus” (mitraísmo), e não o “Cordeiro de Deus” (judaísmo).

    • A Verdade. Não existe nada, nenhum texto ou desenho que afirme que tais deuses se diziam ser “A Verdade”. Pelo contrário: era comum os deuses errarem e muito. Eram egoístas, orgulhosos, caíam em tentações dos mais diversos tipos, tinham personalidade instável, por vezes matavam outros deuses e faziam o mal ao próximo. Nenhum deles era considerado a “verdade” personificada, e nem poderia ser, pois o próprio caráter deles desmentiria isso. Nem mesmo Theos, o maior dos deuses, era chamado de tal, muito menos os outros deuses de escala inferior. Jesus foi o único que disse que era o caminho, a verdade e a vida (Jo.14:6) para quem lhe seguisse.

    • Rei dos reis. Rei dos reis é uma descrição comum em divindade e facilmente aplicável a qualquer Deus, ou ser poderoso, a diferença é que Jesus reina sobre todos os reis do mundo, ao passo que os deuses mitológicos reinavam apenas regionalmente. Zeus no Céu, Hades no mundo dos mortos, e assim por diante. Nunca vemos algum que era considerado o Deus supremo sobre tudo e sobre todos.

    7º Morte por crucificação

    É alegado que Attos foi crucificado em uma árvore numa Sexta-Feira negra. Isso é totalmente falso. Attis morreu embaixo de uma árvore, mas não crucificado nela. E nada indica que isso tenha acontecido em uma Sexta-Feira. Como resultado disso, Attis sangrou e daí surgiu o brotamento de flores. Como disse J. P. Holding, “se você quiser chamar isso de ‘redenção’ da terra, talvez algum fazendeiro esteja fazendo a mesma coisa plantando batatas”.

    Hórus também não morreu por crucificação. Há vários relatos da morte de Hórus, mas nenhum deles envolvendo crucificação. Osíris também não morreu crucificado, mas morreu após ser enganado por Set. Ele foi preso em um baú e lançado ao Nilo. Krishna também não morreu por crucificação. Ele morreu depois de acidentalmente ser atingido por uma flecha de caçador.

    Tammuz, que é outro que alegam que morreu crucificado, na verdade foi morto por demônios enviados por Ishtar. Dionísio foi comido vivo pelos Titãs em sua infância, não morreu crucificado. Mitra não experimentou a morte, mas foi carregado para o Céu em uma carruagem de fogo. Em suma, todas as alegações dos conspiracionistas sobre a morte por crucificação são falsas. Qualquer um que estude ou pesquise um mínimo sobre esses deuses consegue desmascarar tais mentiras, que podem no máximo enganar um ignorante, mas não tem qualquer efeito em um debate inteligente.

    8º Semelhanças depois de Cristo

    Como já vimos até aqui, é comum os conspiracionistas enganarem os incautos alegando uma suposta ligação entre um deus pagão e Jesus Cristo com características posteriores a Cristo. Isso porque embora a maioria desses deuses tenham sido criados há aproximadamente um milênio antes de Cristo, suas histórias não nasceram prontas, em definitivo, da noite para o dia. Suas crenças foram se desenvolvendo com o passar dos séculos, e muitas vezes em sincretismo com outras religiões. Por isso podemos dividir em duas partes as acusações dos ateus:

    • Mentiras. Afirmações simplesmente mentirosas que não provém de qualquer fonte primária e que não condizem com a realidade, como já desmascaramos várias até aqui.

    • Verdades depois de Cristo. Trata-se de acontecimentos verdadeiros, mas que só vieram a fazer parte da tradição desses deuses séculos depois de Cristo.

    Nesse segundo grupo podemos incluir, por exemplo, as alegações de que Hórus tenha sido batizado com 30 anos e iniciado o seu ministério. Embora parte dessa alegação seja claramente falsa (pois Hórus nunca teve um “ministério” como Jesus, que é o ato de se dispor a ser servo e ensinar os outros, e Hórus sempre foi rei, nunca servo), outra parte é verdadeira, mas somente veio a fazer parte das tradições deste deus séculos depois da época de Cristo. Não existia batismo nos tempos de Hórus. Essa tradição existiu séculos depois de Cristo. Portanto, não é um caso dos cristãos plagiando algo do paganismo, mas o paganismo plagiando algo dos cristãos.

    Na versão original de Hórus, não há qualquer “batismo” deste. Na verdade, o único relato deste deus que envolve água é em uma história onde ele é despedaçado e Ísis pede ao deus crocodilo que o pesque da água onde havia sido colocado.

    O mesmo ocorre com Mitra. As informações de que esse deus tenha nascido de uma virgem, perdoado pecados, morrido crucificado e ressuscitado dias depois só são encontradas três séculos depois de Cristo, não há uma única linha ou indício anterior a Cristo de alguém ensinando que Mitra era tudo isso. Por que a arqueologia nunca encontrou detalhes de deuses pagãos semelhantes a Cristo antes de Cristo? Porque, obviamente, foram os pagãos que copiaram os cristãos (e eles tinham esse costume, basta ver a semelhança entre os deuses deles mesmos), e não o contrário.

    Ou tome como exemplo também o caso de Dionísio, que dizem ter transformado água em vinho. Na verdade, o que realmente aconteceu foi que existia um escoadouro em um templo de Dionísio, que jorrava vinho ao invés de água, mas isso é totalmente diferente de transformar água em vinho. Além disso, essa história é posterior à época da escrita do Novo Testamento.

    9º Cristianismo e Mitraísmo

    Muitos afirmam que o Cristianismo é um plágio do mitraísmo. Já vimos que as semelhanças entre um e o outro à luz da época em que elas começaram a aparecer nos mostra claramente que foi o mitraísmo que copiou detalhes do Cristianismo, e não o contrário. Alguns tentam associar a trindade cristã com a “trindade” do mitraísmo, que seria formada por Mitra, Ormuzd e Ahriman. Porém, a exemplo de todas as outras religiões pagãs, elas eram politeístas e panteóstas, mas os trinitários são monoteístas.

    Há uma enorme diferença entre trindade e triteísmo. Os triteístas creem em três deuses separados, como seria no mitraísmo, mas os cristãos são monoteístas: creem em um único Deus manifesto em três pessoas distintas. Assim sendo, o fato de juntar três deuses (ou mais, ou menos) em nada implica em algum “plágio”, a menos que houvesse alguma religião pagã na história que cresse em um único Deus (monoteísta) revelado em três pessoas, o que não existe em absolutamente nenhuma religião pagã!

    Portanto, ao invés de a trindade ser uma “prova” de um sincretismo cristão com o paganismo, ela é uma prova do contrário: da singularidade do Cristianismo, que não vê nada igual nos contos pagãos. E, mesmo se fosse plágio, o plágio seria do mitraísmo, e não do Cristianismo, visto que, como vimos, as crenças do mitraísmo não nasceram da noite para o dia, elas foram fruto de desenvolvimento histórico com o sincretismo com outras religiões, inclusive com a cristã, crença de onde eles posteriormente adaptaram para si algumas de suas crenças.

    A trindade de Mitra, portanto, é um plágio mal feito do mitraísmo em cima do Cristianismo, pois nenhum cristão crê em três deuses, mas em um só. Isso era difícil para um pagão da época assimilar, razão pela qual o plágio foi com três deuses separados, como um politeísmo. Se formos para as primeiras crenças básicas do mitraísmo (quando o Cristianismo ainda não existia) não vemos uma única semelhança entre as duas crenças. Ronald Nash fala o seguinte sobre o nascimento de Mitra:

    “O que sabemos com certeza é que o mitraísmo, tal como seus competidores entre as religiões de mistérios, tinha um mito básico. Mitra supostamente nasceu quando emergiu de uma rocha; estava carregando uma faca e uma tocha e usando um chapéu frígio. Lutou primeiro contra o Sol e depois contra um touro primevo, considerado o primeiro ato da criação. Mitra matou o touro, que então se tornou a base da vida para a raça humana”[8]

    Jesus emergiu de uma rocha? Não. Jesus carregava uma faca e uma tocha? Não. Jesus usava um chapéu frígio? Não. Jesus lutou contra o sol e contra um touro? Não. Jesus matou um touro? Não. A base da vida para a raça humana, na visão cristã, é o touro? Não. Então que tipo de plágio é esse onde as crenças básicas do Cristianismo são totalmente diferentes do mitraísmo?

    Ademais, a crença básica e fundamental para o Cristianismo é a ressurreição dos mortos. Para os cristãos, a ressurreição é o único modo pelo qual o cristão obtém uma vida póstuma, por meio da qual ele pode entrar na vida eterna, o que fica claro em textos como 1ª Coríntios 15:18-19[9]. Portanto, é da maior e mais fundamental importância, razão pela qual era considerada a esperança dos cristãos (Rm.8:23,24; At.26:6-8; At.24:15; At.23:6). Mas os adoradores de Mitra não creem em ressurreição física.

    Nash observa:

    “Alegações da dependência cristã primitiva do mitraísmo foram rejeitadas por várias razões. O mitraísmo não tem conceito da morte e ressurreição de seu deus nem lugar para qualquer conceito de renascimento – pelo menos durante seus primeiros estágios (…) Durante os primeiros estágios da seita, a ideia de renascimento seria estranha à sua visão básica (…) Além disso, o mitraísmo era basicamente uma seita militar. Portanto é preciso ser cético com relação à sugestões de que tenha atraído civis como primeiros cristãos”[10]

    Além disso, os que afirmam que Mitra nasceu de uma virgem fazem isso por ignorância ou desonestidade, pois ele teria nascido de uma rocha. Então, a não ser que a rocha possa ser considerada “virgem”, ele não nasceu de uma virgem! A crença de que em seu nascimento havia a presença de pastores é do quarto século d.C, e é falsa a afirmação de que Mitra tinha 12 discípulos. Essa afirmação é baseada em um quadro onde Mitra aparece matando um touro, emoldurado em duas colunas verticais, cada uma com seis quadros, que em momento nenhum alude a “discípulos” dele, mas os signos do zodíaco.

    Mitra também não teve nenhuma ressurreição corporal. Primeiro, porque o mitraísmo não crê em ressurreição, como creem os cristãos. Segundo, porque Mitra jamais morreu para que pudesse ressuscitar. Como disse um especialista que estudou sobre Mitra a fundo: “não há morte de Mitras” – e, consequentemente, nenhuma ressurreição posterior. E, em terceiro, porque depois que Mitra concluiu sua missão terra foi logo conduzida ao Paraíso em uma carruagem, vivo e muito bem. Jesus morreu e ressuscitou. Mitra não morreu, muito menos ressuscitou.

    Por fim, a última acusação dos conspiracionistas em torno do mitraísmo é a da Santa Ceia, em que Mitra teria dito que “aquele que não comer do meu corpo ou beber do meu sangue, de forma a se tornar um comigo, não será salvo”. Essa se trata provavelmente da maior de todas as mentiras e adulterações, pois não foi dito por Mitra, mas por Zaratrusta, em plena Idade Média, sendo adicionada séculos depois de Cristo, e nem mesmo era uma referência a Mitra!

    A coisa mais próxima a uma “Ceia” celebrada por mitra foi um jantar onde seus seguidores comeram pão, carne, água e vinho. Essa refeição em nada tinha a ver com a Ceia cristã, que é formada apenas de pão e vinho. A refeição de Mitra não era a Ceia cristã, mas uma refeição muito praticada em todas as partes do império romano, com toda a naturalidade do mundo.

    Considerações Finais

    Os adeptos da teoria da conspiração em torno de Jesus Cristo têm argumentos fracos, frágeis, superficiais, e muitas vezes mentirosos, irreais, fraudulentos. Não resistem em nenhum debate de ideias com qualquer estudioso sério do assunto, tem poder apenas para enganar indoutos desinformados. Como conta o famoso filósofo cristão, Dr. William Lane Craig:

    “Se eles chegarem a citar um trecho de uma fonte, eu acho que você ficará surpreso com o que verá. Por exemplo, no meu debate sobre a ressurreição com Robert Prince, ele dizia que as curas que Jesus fez vieram dos relatos mitológicos de curas, como as de Esculápio. Eu insisti que ele lesse a todos uma passagem das fontes originais mostrando a suposta similaridade. Quando ele leu, o que alegava não tinha nada a ver com as histórias dos Evangelhos sobre as curas de Jesus! Essa foi a melhor prova que a origem das histórias não estava relacionada”

    Uma análise superficial por pessoas incapazes ou preguiçosas de descobrirem a verdade dos fatos pode levar muita gente a acreditar fielmente em cada uma das mentiras e falsidades que foram expostas em Zeitgeist e que é repetido à exaustão pelos ateus, mas uma pesquisa mais profunda e um estudo mais sério são mais que o suficiente para deitar por terra todas as inverdades propagadas pelos conspiracionistas.

    Não há qualquer ligação profunda, ou sequer superficial, entre os mitos pagãos e a pessoa de Jesus Cristo à luz dos evangelhos. É completamente irracional e impensável acreditar que os escritores bíblicos plagiaram Jesus daqueles deuses mitológicos que acabamos de conferir. Se eles tivessem plagiado a ideia, teriam retratado um Jesus poderoso na terra, que era rico, ambicioso, imponente, altivo e impetuoso, igualzinho os deuses pagãos.

    Não teriam relatado um Cristo que se fez pobre por amor a nós (2Co.8:9), que não tinha onde reclinar a cabeça (Lc.9:58), que tinha a humilde profissão de carpinteiro (Mc.6:3), que morreu crucificado ao lado de dois condenados (Lc.23:33), que foi açoitado pelos romanos, zombado pelos judeus, desprezado pelo mundo, que morreu como uma ovelha no matadouro.

    Nada disso se vê nos poderosos deuses mitológicos, que ainda apresentavam traços de caráter por vezes desvairados, que exaltavam a si mesmos, que lutavam pelo bem de si próprios, nem que para isso fosse necessário matar outro deus ou armar as mais insanas estratégias de denegrir o próximo. Jamais se ofereceriam para lavar os pés de seus discípulos (Jo.13:12), nunca diriam que não vieram para serem servidos, mas “para servir e dar a vida em resgate de muitos” (Mt.10:45).

    Os deuses mitológicos morriam por compulsão, não por escolha. Tomados pelo orgulho ou pelo desespero, tiravam a vida uns dos outros, se vingavam uns dos outros, enganavam e eram enganados. Jesus, porém, morreu voluntariamente, em um amor sacrificial. Sua morte não foi uma derrota, mas uma vitória. Nunca nenhum deus de mistério morreu vicariamente por outra pessoa, ou “para tirar o pecado do mundo” (Jo.1:29). Jamais algum deus mitológico chegou ao ponto de esvaziar a si mesmo, tomar a forma de servo, se fazer semelhante aos homens, humilhar a si mesmo e ser obediente até a morte, e morte de cruz (Fp.2:7,8).

    Não, Jesus Cristo não é um mito, nem um plágio, nem uma invenção de mentes velhacas. Jesus Cristo é um personagem único e singular na história das religiões. Sem igual, sem precedentes, sem similares. É tão real e verdadeiro que milhares de cristãos deram a vida em martírio nessa certeza, como testemunhas oculares daquele que um dia esteve entre nós. À luz de todas as evidências históricas, acreditamos que o mais lógico e coerente é crer em Cristo exatamente como a Bíblia o descreve: “Senhor meu e Deus meu” (Jo.20:28)

  3. lulu diz:

    Jesus esta voltando!!! Aceitem-o enquanto é tempo! A pazzzz

  4. clayton diz:

    Senhor Jesus tenha misericórdia deste povo que não te conhece…

  5. Religião, Deus, Céu, verdade absoluta, vida eterna, ajuda divina são coisas que as pessoas querem. Por isso, não era necessário criar uma história aceitável ou coerente para que o Cristianismo fizesse sucesso.
    O fato de ser uma colcha de retalhos não interessa para quem (não) enxerga com os olhos da fé, onde apenas acreditar é o bastante, sem se lembrar de checar as fontes ou de saber que o conceito de cristianismo se modificou e se inspirou em outros.

    Para se vender uma ideia é preciso antes criá-la. Mas se é algo que todos querem, não há necessidade dela ser crível, original nem mesmo verdadeira.

  6. Fabio diz:

    De fato, o que vemos do cristianismo hoje é um acumulado (a meu ver, muito mal montado) de filosofias, credos e dogmas alheios, aglutinados na figura de Cristo.

    A maior figura cristã, o próprio Jesus Cristo, é uma colcha de retalhos: Boa parte da história do Deus Egípcio Horus, que foi aglutinada com a visão de homem perfeito do europeu da idade média (Jesus ficou loiro de olhos azuis), que hoje é crucificado todos os dias nas mãos dos pastores iletrados e padres corruptos e pedófilos. Foi até incorporado na linguagem popular “Ai meu Jesus”, e a meu ver já perdeu o sentido original faz tempo. Cristãos de hoje não dão a mínima pra Cristo.

    Sendo o mote da doutrina uma farsa bem tosca, não se espera muito da religião que cresce em torno de. Além da correntes Neoplatonistas, Estóicas e Gnósticas, some ai pedaços da Mitologia Grega e Romana, acrescente enormes pitadas de um Judaísmo “Light” e principalmente o Mitraísmo, que não está citado no texto.

    Jesus morreu e foi sepultado em uma caverna, e textos pagãos dizem que nasceu numa caverna. Cabe lembrar que os cultos a Mitra eram em cavernas. Eram servidos pão e vinho nos rituais do Mitraísmo. A mãe de Mitra era virgem (a mãe de Horus não era), ele também teve doze discípulos, e morreu crucificado, dentre outras semelhanças. E a incorporação desses dogmas não era sem propósito: O Mitraísmo era uma religião bem presente no exército romano.

    Não dá pra dizer que só Jesus é um plágio. De algum modo, todas as religiões da época se pareciam muito mais do que podiam imaginar seus raivosos defensores: Eram a busca de uma divindade mais humana e mais próxima as classes mais baixas da época. Coloquemos em linguagem geek atual: O Cristianismo é baseado em trabalho Open Source. Pegaram um monte de doutrinas que aparentemente são desconexas, acharam ligações, eliminaram o que não era interessante, fecharam o código dizendo que a bíblia era a lei e cá estamos hoje.

    É um texto muito interessante o seu, que deve estar lendo ou ter já ter lido o livro da Marilena Chaui. Eu pessoalmente acho a filosofia dela muito rasa (e também não vou com a cara dela por ser petista, tento não misturar). Uma visão interessante da constante mutação e da salada de doutrinas que é o cristianismo você pode ler nos livros religiosos do Tolstoi, que começou a misturar as características da Rússia Imperial e comunismo arcaico com visões próprias de como o Cristianismo deveria ser. Foi excomungado, no final; porém a igreja católica ortodoxa de hoje tem bastante princípios que ele pregava na época.

    Eu sei que seu foco era a questão metafísica da religião, embasado pela leitura da Chaui. Mas quis mostrar o lado mitológico da coisa, que também é todo copiado, para reforçar que a doutrina cristã é inteira baseada em idéias anteriores, e está em constante mutação. Mas que criação do homem não está?

    • Késya Denise diz:

      Como você pode dizer essas palavras da bíblia (a palavra de Deus); anátema são as palavras de julgamento; antes mesmo de existir platão, aristóteles a Bíblia já estava sendo escrita a muitos anos atrás por Homens de DEUS inspirada pelo Espirito Santo. As religiões e doutrinas existentes concordo que não seguem a risca a Bíblia. Mais a palavra de Deus Ela sim é eficaz penetra a alma, é como uma espada de 2 gumes que faz a divisão do Espirito e da Alma. Jesus é o caminho a verdade e a vida, Ele veio a este mundo para que tivéssemos vida e em abundância para redimir os nossos pecados, e assim se entregando a Ele nos dará o direito a vida eterna nos céus, foi morto e ressucitou ao 3° dia. ¶ Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?
      Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.
      Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
      ¶ Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
      Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
      Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
      Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.
      Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.
      E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.
      Isaías 53:1-9
      PENSE, REFLITA; BREVE… JESUS VOLTARÁ!

    • José Victor César diz:

      No artigo anterior provamos historicamente a existência de Jesus por diferentes autores não-cristãos que conviveram na época de Cristo ou pouco depois, e da existência dos cristãos ainda no primeiro e no segundo século, o que aniquila a tese de que Cristo tenha sido uma invenção elaborada por charlatões que buscavam engrandecer seus próprios nomes e tomar vantagem dos outros. Os ateus não têm qualquer coisa para refutarem decentemente as provas históricas da existência de Jesus, mas ainda possuem uma última carta na manga: Zeitgeist.

      Zeitgeist trata-se de um filme sensacionalista baseado puramente em teorias da conspiração, envolvendo não apenas a pessoa de Jesus Cristo, mas também os atentados de 11 de Setembro e o Banco Central dos Estados Unidos. Em qualquer lugar onde as pessoas tivessem um mínimo de senso crítico, inteligência e raciocínio próprio, ninguém daria o menor crédito a este falso documentário que já foi desmentido milhares de vezes por especialistas e estudiosos da área, mas em um país onde a principal atração é o Big Brother Brasil e uma das principais “manifestações culturais” é o funk, já se podia esperar que milhares de incautos fossem iludidos sem a menor dificuldade, engolindo qualquer informação mentirosa que lhes é passada.

      Mais de 80% das fontes de Zeitgeist não são fontes primárias, mas são tiradas de outros livros (também igualmente sensacionalistas e conspiracionistas). Ou seja: só pelas fontes já seria suficiente para qualquer estudioso sério perder qualquer consideração e respeito por esse documentário. Se eu digo que Leonardo da Vinci foi um sumo sacerdote do satanismo, que tinha pacto com o diabo e que as suas pinturas não eram dele, mas roubadas ou plagiadas de algum Fulano de Tal, ou tenho que provar essas acusações sérias com alguns (ou muitos) documentos históricos daquela época que provem isso. Mas se 80% de todas as minhas “provas” são livrinhos escritos por amiguinhos meus que também são loucos por alguma teoria conspiratória, isso não me daria qualquer crédito.

      Infelizmente, é isso o que Zeitgeist faz do início ao fim: um verdadeiro show de desinformação e desconhecimento histórico, deixando claro que foi feito por alguém que estava desesperado em reunir o maior número de “provas” contra o Cristianismo, mesmo que para isso tivesse que lançar mão de fontes nada confiáveis, ou de fatos que já se provaram o contrário. Porque o propósito, como já foi dito, nunca foi de provar nada, mas de apenas passar mais uma teoria de conspiração.

      O Dr. Chris Forbes, professor da Universidade de Macquarie (Sydney), doutor em história do Novo Testamento e membro do Sínodo da diocese de Sydney refutou as mentiras ditas em Zeitgeist em uma entrevista de sete minutos, mostrando inúmeras farsas naquilo que foi exposto[1]. Em meu site “Apologia Cristã” também mostro um documentário de uma hora e meia de duração, com vários depoimentos de estudiosos que refutaram parte por parte dos embustes elaborados pelos conspiracionistas, que também estará na nota de rodapé deste livro.[2]

      Basicamente, o que o filme pretende mostrar é que Jesus Cristo foi um mito inventado pelos cristãos, que eram tão burros que copiaram igualzinho os outros mitos daquela época, nem fizeram questão de disfarçar, e que eles deram as suas vidas em martírio por esse mito inventado por eles. Primeiramente vejamos o que foi alegado:

      Mitra (persa – romano) 1200 a.C
      • Nasceu dia 25 de Dezembro;
      • Nasceu de uma virgem;
      • Teve 12 discípulos;
      • Praticou milagres;
      • Morreu crucificado;
      • Ressuscitou no 3º dia;
      • Era chamado de “A Verdade”, “A Luz”;
      • Veio para lavar os pecados da humanidade;
      • Foi batizado;
      • Como deus, tinha um “filho”, chamado Zoroastro.

      Attis (Frígia – Roma) 1200 a.C.
      • Nasceu dia 25 de dezembro;
      • Nasceu de uma virgem;
      • Foi crucificado, morreu e foi enterrado;
      • Ressuscitou no 3º dia;

      Krishna (hindu – índia) 900 a.C
      • Nasceu dia 25 de Dezembro;
      • Nasceu de uma virgem;
      • Uma estrela avisou a sua chegada;
      • Fez milagres;
      • Após morrer, ressuscitou.

      Dionísio (Grego) 500 a.C
      • Nasceu de uma virgem;
      • Foi peregrino (viajante);
      • Transformou água em vinho;
      • Chamado de Rei dos reis, Alpha e ômega;
      • Após a morte, ressuscitou;
      • Era chamado de “Filho pródigo de Deus”.

      Mesmo se tudo isso fosse mesmo verdade (o que veremos mais adiante que não é), o que é que isso provaria? Dado o incontável número de deuses existentes no paganismo e as inumeráveis histórias e fatos que os envolvem, poderia não ser mais que coincidência que alguns deles se cruzassem em alguns aspectos. Afirmar que por conta disso Jesus seria um plágio desses mitos pagãos seria tão inteligente quanto alegar que John Kennedy foi um plágio de Abraham Lincoln e que por isso ele é um mito que não existiu realmente, dadas as seguintes coincidências:

      • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
      • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
      • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
      • John F. Kennedy foi eleito presidente em 1960.
      • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
      • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
      • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
      • Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
      • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
      • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
      • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
      • A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
      • A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas.
      • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
      • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
      • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
      • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
      • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
      • Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
      • Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras.
      • Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
      • Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num teatro.
      • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
      • O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham.
      • O teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
      • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
      • Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln…
      • Antes de ser morto, Lincoln esteve em Monroe, Maryland.
      • Antes de ser morto, Kennedy esteve com Marylin Monroe.

      Se tamanhas semelhanças entre Lincoln e Kennedy não significa que um é um plágio do outro, por que algumas semelhanças entre Cristo em algum deus mitológico deveriam servir de “prova” para um suposto plágio do Cristianismo? Mas para não deixar as fraudes ateístas sem respostas, examinaremos ponto a ponto para vermos se essas informações procedem.

      1º Nascimento no dia 25 de Dezembro

      Em momento nenhum a Bíblia diz que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, ou ao menos indica isso. Ao contrário, as evidências bíblicas apontam que Jesus nasceu em Agosto. Ele nasceu pouco antes da morte de Herodes, quando José foi a Belém com sua família para participar do recenseamento. Esse recenseamento historicamente ocorreu quatro anos antes da morte de Herodes, que ocorreu em 4 a.C. Consequentemente, isso nos leva ao ano 8 a.C. Mas os judeus dificultaram a tentativa dos romanos em contarem todo o povo, razão pela qual, historicamente, nas terras judaicas esse recenseamento ocorreu um ano depois das outras terras dominadas pelo império romano. Ou seja: ocorreu em 7 a.C.

      Esse recenseamento em Belém ocorreu no oitavo mês, ou seja, em Agosto. Daí se conclui que Jesus nasceu em Agosto de 7 a.C. Outro fato que corrobora com essa data é de que, de acordo com os registros locais, Jesus foi apresentado no templo em um sábado do mês de Setembro daquele ano. Em 7 a.C houve quatro sábados: 4, 11, 18 e 25. Como os censos em Belém ocorreram entre 10 e 24 de Agosto, o sábado de apresentação foi o de 11 de Setembro, pois a purificação das mulheres teria que ocorrer até os vinte e um dias após o parto.

      Portanto, Jesus nasceu poucos dias depois de 21 de Agosto de 7 a.C, e não em 25 de Dezembro. Se os escritores bíblicos plagiaram os mitos pagãos para formarem Jesus, teriam dito que ele nasceu em 25 de Dezembro, o que sabemos historicamente à luz da Bíblia que não aconteceu. Ao contrário: nenhum deles falou de 25 de Dezembro em parte nenhuma.

      A fixação da data de 25 de Dezembro se deu apenas no quarto século d.C de forma comemorativa, pela Igreja Católica. O objetivo com isso era de âmbito político: devido ao ecumenismo praticado pela Igreja da época criou-se essa data comemorativa do nascimento de Jesus como sendo em 25 de Dezembro, para a fácil aceitação dos pagãos que tiveram que se converter ao Cristianismo após este se tornar a religião oficial do império romano. Visando a conversão e aceitação deles, fixou-se essa data. Mas nada na Bíblia, nem nos primeiros três séculos de Cristianismo, aponta para 25 de Dezembro como uma data do nascimento de Jesus, o que deita por terra as teses de que os autores bíblicos fizeram uso de mitos pagãos para “criarem” Jesus Cristo.

      2º Três reis magos

      É alegado pelos conspiracionistas que em alguns mitos pagãos os deuses foram recebidos por três reis magos, que seguiam a estrela Sirius. Nada mais falso do que isso. Na verdade, o relato bíblico não fala de reis, não fala de “três” e não fala de Sirius! O que o texto bíblico simplesmente diz é isso:

      “Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém” (Mateus 2:1)

      Em momento nenhum a Bíblia afirma que eram reis, mas que eram magos. Se esses magos também eram reis ou não, é algo que a Escritura simplesmente silencia. A afirmação de que eram “três” também é falsa. Em lugar nenhum o relato diz que eram três, o que talvez alguns erroneamente deduziram do número de presentes: ouro, incenso e mirra. Mas podem ter sido muitos magos trazendo (cada um deles) esses três presentes, ou então um número menor trazendo mais presentes. O número de presentes não determina o número de magos!

      A ideia de que eram três reis magos provém do século VII d.C, já muito tempo depois de Jesus, quando a Igreja Católica decidiu aceitar a sugestão de São Beda (673-735), que disse que os magos eram reis e que eram três. Mais uma vez, é preciso reafirmar: trata-se de uma tradição católica, e não cristã. Não está registrada na Bíblia, mas na tradição deles. Nenhum apóstolo, evangelista ou escritor bíblico se baseou nessa interpretação ao escrever a Bíblia.

      A hipótese de que a estrela que os magos seguiram era Sirius é refutada em Mateus 2:7, que afirma que essa estrela era nova, ela tinha “aparecido” há pouco tempo. Não podia ser Sirius, que já ela era muito bem conhecida pelos astrólogos daquela época e até cultuada em muitos povos pagãos. Portanto, não há nada em Mateus 2:1 que faça qualquer alusão a qualquer mito pagão que seja.

      Por fim, é interessante notarmos a figura dos pastores que foram visitar Jesus quando este ainda era recém-nascido (Lc.2:8-18). Nos mitos pagãos, os deuses sempre estavam associados apenas a riquezas, a glória, a honra. Jesus aparece sendo visitado por pessoas pobres no seu nascimento, diferente dos deuses que eram cercados apenas de outros deuses ricos e poderosos. A descrição bíblica do Deus encarnado nascendo em uma simples e humilde manjedoura, vivendo entre os pobres, não tendo sequer onde repousar a cabeça (Mt.8:20) e morrendo entre dois condenados desassocia completamente Jesus dos mitos pagãos, onde o que sempre ocorria era o inverso.

      3º O nascimento virginal

      De todas as alegações dos conspiracionistas essa é certamente a mais ridícula. Em primeiro lugar, tudo o que se sabe sobre tais deuses pagãos é através de desenhos. Seus seguidores não escreveram nada. Como iriam então desenhar uma mulher virgem? A única diferença entre a virgem e a não-virgem é interna. Teriam seus seguidores desenhado as genitálias femininas com o hímen intacto? É claro que não. Então quem foi que deu a ideia de que tais deuses eram fruto de um nascimento virginal?

      Em segundo lugar, é mentira que os desenhos não retrataram histórias que incluíam um relacionamento físico para gerar esses deuses. Hórus não foi concebido milagrosamente por uma virgem, mas por relação sexual da deusa Isis com o deus Osíris.

      Em suma, não é apenas ridícula a afirmação de que tais deuses eram fruto de nascimento virginal: é uma afirmação mentirosa. Simplesmente não existem registros de algum mito pagão onde um deus tenha sido gerado milagrosamente pela operação do Espírito Santo, sem qualquer fecundação resultando do casal sagrado (entre um casal de deuses) ou do ato sexual entre um deus disfarçado de ser humano e uma mulher mortal.

      Tome como exemplo uma das histórias de Dionísio. Segundo essa versão, Zeus foi a Perséfone disfarçado de serpente e a engravidou. Portanto, tirou sua virgindade. Em outra versão, ele se aproximou de Semele disfarçado de homem mortal e ela engravidou. Então, a rainha de Zeus, Hera, tomara de ciúmes, foi até a casa de Semele disfarçada de uma mulher idosa, sugerindo que a história que Zeus era o rei dos deuses poderia ser mentira e que ele era um simples mortal querendo se aproveitar da inocência dela.

      Quando Zeus voltou a visitá-la, ela pediu, sob juramento, que ele aparecesse a ela como aparecia a Hera. Zeus, cumprindo o juramento, apareceu com toda a sua glória, o que reduziu Semele às cinzas. Hermes salvou o feto e o conduziu a Zeus, que o costurou à sua coxa e, depois de três meses, deu à luz a Dionísio. Diante de tudo isso, fica a pergunta: qual ser humano pensante nesse planeta terra iria achar que a história bíblica do nascimento virginal de Jesus tem algum paralelo ou “plágio” com a história do nascimento de Dionísio ou dos outros deuses pagãos? Só um oportunista ou um ignorante.

      Nos outros mitos a coisa piora ainda mais. Em Hórus, por exemplo, de acordo com a The Encyclopedia of Mythica, depois de seu pai Osíris ser assassinado e ter seu corpo mutilado em quatorze pedaços por seu irmão Set, íris (esposa de Osíris) recuperou e remontou o corpo, e em conexão pegou o papel da deusa da morte e dos funerais. Então, ela se engravidou pelo corpo de Osíris e deu à luz a Hórus nos rios de Khemnis. Esse relato de concepção necrofílica nada tem a ver com o relato bíblico, chega a ser patético alguém ver isso e ainda comparar com o nascimento virginal de Jesus, que é totalmente diferente na narrativa bíblica.

      Em conclusão, os historiadores e eruditos Raymond Brown e R. E. Brown comentam:

      “Em suma, não há nenhum exemplo claro de concepção virginal no mundo ou nas religiões pagãs que plausivelmente poderia ter dado aos judeus cristãos do primeiro século a ideia da concepção virginal de Jesus”[3]

      “Paralelos não judaicos têm sido encontrados nas religiões mundiais (O nascimento de Buda, de Krishna e do filho de Zoroastro), na mitologia greco-romana, nos nascimentos dos faraós (com o deus Amon-Rá agindo através do seu pai) e nos nascimentos sensacionais dos imperadores e filósofos (Augusto, Platão etc…). Mas esses ‘paralelos’ sempre envolvem um tipo de hieros gamos em que um macho divino, em forma humana ou outra, insemina uma mulher, seja através do ato sexual normal, seja por meio de uma forma substituta de penetração. Eles não são realmente semelhantes à concepção virginal não-sexual que está no âmago das narrativas da infância de Jesus, concepção esta em que nenhum elemento ou deidade macho insemina Maria… Portanto, nenhuma busca por paralelos nos tem dado explicação verdadeiramente satisfatória de como os primitivos cristãos chegaram à idéia de uma concepção virginal – a menos, é claro, que ela realmente tenha acontecido historicamente”[4]

      Esse é um clássico exemplo de como os conspiracionistas agem para enganar os mais desprevenidos. Usam uma informação falsa, em cima de uma história completamente diferente do relato bíblico, que pela mera descrição do suposto “nascimento virginal” dos deuses pagãos leva muitos a crerem que o que ocorreu ali foi algo próximo do relato bíblico de Maria dando à luz a Jesus por um ato milagroso do Espírito Santo, quando, na verdade, é absurdamente antagônico.

      4º Jesus e seus doze anos

      É alegado que alguns deuses de mistério, como Hórus, efetuavam grandes milagres e maravilhas quando tinham 12 anos, assim como Jesus. Essa informação é falsa. Não há um único registro de qualquer milagre que Jesus tenha feito enquanto criança ou jovem. Os evangelhos de Mateus, Marcos e João nada falam sobre a adolescência de Jesus, e Lucas, o único que conta alguma coisa, cita apenas a obediência do menino Jesus aos seus pais (Lc.2:51) e ele conversando com os mestres da lei no templo (Lc.2:46). Sem retoques, sem milagres, sem grandes exibições ou maravilhas.

      Já com os mitos pagãos, a coisa era totalmente diferente. Já garotos eles faziam coisas sobrenaturais, mágicas, prodígios e todos os temiam. Totalmente diferente da infância de Jesus! Se os evangelistas tivessem plagiado alguma coisa dos mitos pagãos, teriam obviamente retratado a infância de Jesus com muita ênfase e repleto de detalhes sobrenaturais, o que nunca fizeram. Apenas um dos quatro evangelistas escreveu alguma coisa sobre a infância de Jesus, e mesmo ele não deu qualquer destaque a algum milagre ou façanha sobrenatural que ele possa ter feito.

      5º A ressurreição

      Outra afirmação comum dos conspiracionistas é que a ressurreição de Jesus foi um plágio dos mitos pagãos. Se isso é verdade, esperaríamos encontrar muitos relatos de deuses morrendo e ressuscitando fisicamente para o mundo dos vivos ao terceiro dia. Mas isso nunca ocorre com nenhum deles. Nunca. Examinaremos caso por caso:

      • Adonis. Não há sequer uma única evidência nem nos textos antigos nem nas representações pictográficas de que Adonis tenha ressuscitado, como afirmam alguns.

      • Áttis. Somente depois de 150 d.C houve a sugestão de que ele teria sido um deus ressurreto. Como os cristãos do século I teriam plagiado uma história mitológica que ainda não existia? Além disso, não há nada que se pareça com o uma ressurreição corpórea no mito de Áttis. Em uma das versões, ele teria voltado à vida de forma vegetativa, apenas os pêlos do seu corpo continuavam a crescer e ele movia apenas um dos dedos, de forma involuntária. Em outra versão, Áttis volta à vida na forma de uma árvore. Nenhuma dessas versões tem qualquer ligação com a ressurreição física, corporal e gloriosa de Jesus Cristo.

      • Osíris. A versão do mito de sua morte e “ressurreição” é encontrada em Plutarco, que escreveu no segundo século d.C. Novamente, mais de um século depois da época de Jesus e dos primeiros cristãos. E mesmo essa versão difere radicalmente da ressurreição de Jesus. Osíris teria sido assassinado por seu irmão que o afundou em um caixão no Nilo. Ísis descobriu o corpo e o conduziu novamente ao Egito, mas seu cunhado ganha o acesso ao corpo e o mutila em quatorze pedaços, atirando-os para longe. Ísis procura e encontra cada um desses quatorze pedaços, restaura o corpo de Osíris e este passa a ser um deus no mundo dos mortos.

      Essa visão é completamente oposta à noção cristã da ressurreição de Jesus. Em primeiro lugar, porque Jesus não teve nenhum de seus ossos quebrado (Jo.19:36), enquanto Osíris foi mutilado em quatorze pedaços. Segundo, porque a ressurreição de Jesus foi para esta vida (mundo dos vivos), enquanto que a “ressurreição” de Osíris, se é que podemos chamar de ressurreição, foi para habitar no mundo dos mortos. Em outras palavras, ele não ressuscitou tecnicamente: ele apenas morreu e foi para o mundo dos mortos, jamais voltando à terra dos viventes, como ocorreu com Jesus. Como disse Roland de Vaux:

      “O que significa Osíris ter ‘levantado para a vida’? Simplesmente que, graças à ministração de Ísis, ele pôde levar uma vida além da tumba que é quase uma perfeita réplica da existência terrestre. Mas ele nunca mais voltará a habitar entre os viventes e reinará apenas sobre os mortos… Esse deus revivido é, na realidade, um deus ‘múmia’”[5]

      • Krishna. Ele foi morto por um caçador que, sem intenção, atirou em seu calcanhar, e, em seguia, ascendeu aos céus. Não houve qualquer ressurreição aqui, e ninguém o viu ascender. Krishna jamais voltou à vida terrena. Além disso, como nos conta Benjamim Walker, “não pode haver qualquer dúvida de que os hindus pegaram emprestado os contos [do Cristianismo], mas não o nome”[6]. Isso porque o Bhagavata Purana é datado entre o sexto e o décimo primeiro século d.C, e o Harivamsa foi composto entre o quarto e o sexto século.

      Portanto, não há nenhum paralelo entre a ressurreição de Jesus e a ressurreição dos deuses mitológicos de mistério. Nos mitos pagãos, os deuses simplesmente desaparecem ou morrem. Os que desaparecem retornam porque não haviam morrido, e os que morrem não retornam. A ressurreição de Jesus é o único caso na história antiga de um Deus encarnado morrendo em forma humana e retornado à vida terrena. Como diz Mettinger:

      “Desde a década de 1930… um consenso tem se desenvolvido de que os ‘deuses que morrem e ressuscitam’ morreram, mas não retornaram ou se levantaram para viver novamente… Aqueles que pensam diferente são vistos como membros residuais de espécies quase extintas”[7]

      Na concepção judaica, nenhum dos mitos pagãos ressuscitou realmente dos mortos, e não é senão a partir do terceiro século d.C que encontramos material mais sólido sobre as religiões de mistério que permitem uma reconstrução de seu conteúdo. Como mostrou Pierre Lambrechts, os textos que se referem à ressurreição dos deuses são muito tardios, do segundo ao quarto século d.C, e mesmo nestes casos não há um único que seja pelo menos parecido com a ressurreição de Jesus.

      6º Adjetivos dos deuses mitológicos

      Os ateus afirmam que os nomes bíblicos para Jesus, como “Luz do Mundo”, “Alfa e Ômega”, e “Cordeiro de Deus” (dentre outros) foram copiados dos mitos pagãos. Será mesmo? Examinaremos isso agora.

      • Luz do mundo. Os deuses pagãos eram chamados de “luz do mundo” por sua associação com o sol, que é a luz do mundo. O sol era adorado em muitos povos pagãos. O Novo Testamento, porém, em momento nenhum ensina a adoração ao sol, e mesmo quando chama Jesus de luz o faz em um contexto totalmente diferente dos mitos pagãos, pois fala de uma luz espiritual e não literal (Lc.8:12). A “luz” dos deuses pagãos era uma luz literal que é emitida pelo sol para salvar a vida na terra, já a “luz” de Cristo diz respeito à salvação do pecado e da morte espiritual. Portanto, uma coisa nada tem a ver com a outra.

      Além disso, vale destacar que Jesus disse que nós também somos a luz do mundo (Mt.5:14), algo que um deus pagão jamais faria, pois esse título seria exclusividade dos deuses em função do poder exercido por eles sobre os humanos. Sendo assim, a “luz” no contexto cristão nada tem a ver com a “luz” do contexto pagão, e o título que no paganismo é atribuído somente aos deuses é no Novo Testamento dado a todos os cristãos (o que era absurdo e inadmissível no paganismo), o que mostra diferenças marcantes entre um e outro.

      • Salvador. Se os deuses pagãos alguma vez foram considerados “salvadores”, o foram em função do sol, que salva a vida existente na terra. Mas será que isso foi um “plágio” dos escritores bíblicos? Se fosse um plágio, Jesus seria considerado salvador no mesmo sentido que os deuses pagãos eram considerados salvadores. Mas nunca vemos esses deuses salvando alguém do pecado, ao contrário: o conceito de “pecado” é judaico-cristão, nem existia no paganismo. A “salvação”, ao invés de ser de uma morte física, trata-se da morte espiritual, isto é, do pecado. Um conceito totalmente antagônico em relação aos deuses de mistério.

      Attis, por exemplo, em momento nenhum agiu como um “redentor”, nem sua religião oferecia a “salvação em Attis”. Krishna era um “salvador” guerreiro e terreno que lutou para libertar seu povo do tirânico reinado de Kamsa. Nada tem a ver com a salvação de Jesus Cristo, que não era de ordem temporal. Ao contrário: ele disse seu Reino não era deste mundo (Jo.18:36).

      • Filho de Deus. Qualquer deus que fosse filho de um outro deus era considerado “filho de Deus”, portanto obviamente muitos deuses pagãos tinham esse título. A pergunta que fica é: se Jesus é o Filho de Deus, teria sido esse título tirado dos mitos pagãos? Se isso fosse verdade, a Bíblia jamais diria que nós também somos filhos de Deus, como afirma claramente (Jo.1:12). Isso nunca aconteceu em nenhum mito do paganismo, pois “filho de Deus” era um título exclusivo dos deuses, nunca dos seres humanos mortais. Se o Novo Testamento nos chama de filhos de Deus, é óbvio que ele não foi influenciado pelos mitos pagãos que diziam o contrário.

      • Alfa a Ômega. Não há qualquer registro de um deus pagão com esse título. Alguns afirmam que Dionísio tinha esse título, mas não há qualquer registro histórico ou arqueológico que confirme tal tese. Jesus é o Alfa e o ômega porque ele não tem Princípio e nem Fim, ou seja: porque ele é eterno. Já os deuses pagãos eram criados, eram filhos naturais por relações de outros deuses, portanto não podiam ser “Alfa e Ômega”.

      • Cordeiro de Deus. Outro título que jamais foi aplicado a qualquer deus mitológico. A expressão “cordeiro de Deus” não provém do paganismo, mas do judaísmo, que costumava sacrificar cordeiros como sacrifício pelo pecado. Jesus, portanto, é tratado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo.1:29), como sendo o sacrifício completo, final e definitivo. Esse termo não pode ter sido tomado do paganismo pela simples razão de que os pagãos não sacrificavam cordeiros. No mitraísmo, por exemplo, eram sacrificados touros. Se os apóstolos tivessem plagiado as ideias pagãs, teria dito que Jesus era o “Touro de Deus” (mitraísmo), e não o “Cordeiro de Deus” (judaísmo).

      • A Verdade. Não existe nada, nenhum texto ou desenho que afirme que tais deuses se diziam ser “A Verdade”. Pelo contrário: era comum os deuses errarem e muito. Eram egoístas, orgulhosos, caíam em tentações dos mais diversos tipos, tinham personalidade instável, por vezes matavam outros deuses e faziam o mal ao próximo. Nenhum deles era considerado a “verdade” personificada, e nem poderia ser, pois o próprio caráter deles desmentiria isso. Nem mesmo Theos, o maior dos deuses, era chamado de tal, muito menos os outros deuses de escala inferior. Jesus foi o único que disse que era o caminho, a verdade e a vida (Jo.14:6) para quem lhe seguisse.

      • Rei dos reis. Rei dos reis é uma descrição comum em divindade e facilmente aplicável a qualquer Deus, ou ser poderoso, a diferença é que Jesus reina sobre todos os reis do mundo, ao passo que os deuses mitológicos reinavam apenas regionalmente. Zeus no Céu, Hades no mundo dos mortos, e assim por diante. Nunca vemos algum que era considerado o Deus supremo sobre tudo e sobre todos.

      7º Morte por crucificação

      É alegado que Attos foi crucificado em uma árvore numa Sexta-Feira negra. Isso é totalmente falso. Attis morreu embaixo de uma árvore, mas não crucificado nela. E nada indica que isso tenha acontecido em uma Sexta-Feira. Como resultado disso, Attis sangrou e daí surgiu o brotamento de flores. Como disse J. P. Holding, “se você quiser chamar isso de ‘redenção’ da terra, talvez algum fazendeiro esteja fazendo a mesma coisa plantando batatas”.

      Hórus também não morreu por crucificação. Há vários relatos da morte de Hórus, mas nenhum deles envolvendo crucificação. Osíris também não morreu crucificado, mas morreu após ser enganado por Set. Ele foi preso em um baú e lançado ao Nilo. Krishna também não morreu por crucificação. Ele morreu depois de acidentalmente ser atingido por uma flecha de caçador.

      Tammuz, que é outro que alegam que morreu crucificado, na verdade foi morto por demônios enviados por Ishtar. Dionísio foi comido vivo pelos Titãs em sua infância, não morreu crucificado. Mitra não experimentou a morte, mas foi carregado para o Céu em uma carruagem de fogo. Em suma, todas as alegações dos conspiracionistas sobre a morte por crucificação são falsas. Qualquer um que estude ou pesquise um mínimo sobre esses deuses consegue desmascarar tais mentiras, que podem no máximo enganar um ignorante, mas não tem qualquer efeito em um debate inteligente.

      8º Semelhanças depois de Cristo

      Como já vimos até aqui, é comum os conspiracionistas enganarem os incautos alegando uma suposta ligação entre um deus pagão e Jesus Cristo com características posteriores a Cristo. Isso porque embora a maioria desses deuses tenham sido criados há aproximadamente um milênio antes de Cristo, suas histórias não nasceram prontas, em definitivo, da noite para o dia. Suas crenças foram se desenvolvendo com o passar dos séculos, e muitas vezes em sincretismo com outras religiões. Por isso podemos dividir em duas partes as acusações dos ateus:

      • Mentiras. Afirmações simplesmente mentirosas que não provém de qualquer fonte primária e que não condizem com a realidade, como já desmascaramos várias até aqui.

      • Verdades depois de Cristo. Trata-se de acontecimentos verdadeiros, mas que só vieram a fazer parte da tradição desses deuses séculos depois de Cristo.

      Nesse segundo grupo podemos incluir, por exemplo, as alegações de que Hórus tenha sido batizado com 30 anos e iniciado o seu ministério. Embora parte dessa alegação seja claramente falsa (pois Hórus nunca teve um “ministério” como Jesus, que é o ato de se dispor a ser servo e ensinar os outros, e Hórus sempre foi rei, nunca servo), outra parte é verdadeira, mas somente veio a fazer parte das tradições deste deus séculos depois da época de Cristo. Não existia batismo nos tempos de Hórus. Essa tradição existiu séculos depois de Cristo. Portanto, não é um caso dos cristãos plagiando algo do paganismo, mas o paganismo plagiando algo dos cristãos.

      Na versão original de Hórus, não há qualquer “batismo” deste. Na verdade, o único relato deste deus que envolve água é em uma história onde ele é despedaçado e Ísis pede ao deus crocodilo que o pesque da água onde havia sido colocado.

      O mesmo ocorre com Mitra. As informações de que esse deus tenha nascido de uma virgem, perdoado pecados, morrido crucificado e ressuscitado dias depois só são encontradas três séculos depois de Cristo, não há uma única linha ou indício anterior a Cristo de alguém ensinando que Mitra era tudo isso. Por que a arqueologia nunca encontrou detalhes de deuses pagãos semelhantes a Cristo antes de Cristo? Porque, obviamente, foram os pagãos que copiaram os cristãos (e eles tinham esse costume, basta ver a semelhança entre os deuses deles mesmos), e não o contrário.

      Ou tome como exemplo também o caso de Dionísio, que dizem ter transformado água em vinho. Na verdade, o que realmente aconteceu foi que existia um escoadouro em um templo de Dionísio, que jorrava vinho ao invés de água, mas isso é totalmente diferente de transformar água em vinho. Além disso, essa história é posterior à época da escrita do Novo Testamento.

      9º Cristianismo e Mitraísmo

      Muitos afirmam que o Cristianismo é um plágio do mitraísmo. Já vimos que as semelhanças entre um e o outro à luz da época em que elas começaram a aparecer nos mostra claramente que foi o mitraísmo que copiou detalhes do Cristianismo, e não o contrário. Alguns tentam associar a trindade cristã com a “trindade” do mitraísmo, que seria formada por Mitra, Ormuzd e Ahriman. Porém, a exemplo de todas as outras religiões pagãs, elas eram politeístas e panteóstas, mas os trinitários são monoteístas.

      Há uma enorme diferença entre trindade e triteísmo. Os triteístas creem em três deuses separados, como seria no mitraísmo, mas os cristãos são monoteístas: creem em um único Deus manifesto em três pessoas distintas. Assim sendo, o fato de juntar três deuses (ou mais, ou menos) em nada implica em algum “plágio”, a menos que houvesse alguma religião pagã na história que cresse em um único Deus (monoteísta) revelado em três pessoas, o que não existe em absolutamente nenhuma religião pagã!

      Portanto, ao invés de a trindade ser uma “prova” de um sincretismo cristão com o paganismo, ela é uma prova do contrário: da singularidade do Cristianismo, que não vê nada igual nos contos pagãos. E, mesmo se fosse plágio, o plágio seria do mitraísmo, e não do Cristianismo, visto que, como vimos, as crenças do mitraísmo não nasceram da noite para o dia, elas foram fruto de desenvolvimento histórico com o sincretismo com outras religiões, inclusive com a cristã, crença de onde eles posteriormente adaptaram para si algumas de suas crenças.

      A trindade de Mitra, portanto, é um plágio mal feito do mitraísmo em cima do Cristianismo, pois nenhum cristão crê em três deuses, mas em um só. Isso era difícil para um pagão da época assimilar, razão pela qual o plágio foi com três deuses separados, como um politeísmo. Se formos para as primeiras crenças básicas do mitraísmo (quando o Cristianismo ainda não existia) não vemos uma única semelhança entre as duas crenças. Ronald Nash fala o seguinte sobre o nascimento de Mitra:

      “O que sabemos com certeza é que o mitraísmo, tal como seus competidores entre as religiões de mistérios, tinha um mito básico. Mitra supostamente nasceu quando emergiu de uma rocha; estava carregando uma faca e uma tocha e usando um chapéu frígio. Lutou primeiro contra o Sol e depois contra um touro primevo, considerado o primeiro ato da criação. Mitra matou o touro, que então se tornou a base da vida para a raça humana”[8]

      Jesus emergiu de uma rocha? Não. Jesus carregava uma faca e uma tocha? Não. Jesus usava um chapéu frígio? Não. Jesus lutou contra o sol e contra um touro? Não. Jesus matou um touro? Não. A base da vida para a raça humana, na visão cristã, é o touro? Não. Então que tipo de plágio é esse onde as crenças básicas do Cristianismo são totalmente diferentes do mitraísmo?

      Ademais, a crença básica e fundamental para o Cristianismo é a ressurreição dos mortos. Para os cristãos, a ressurreição é o único modo pelo qual o cristão obtém uma vida póstuma, por meio da qual ele pode entrar na vida eterna, o que fica claro em textos como 1ª Coríntios 15:18-19[9]. Portanto, é da maior e mais fundamental importância, razão pela qual era considerada a esperança dos cristãos (Rm.8:23,24; At.26:6-8; At.24:15; At.23:6). Mas os adoradores de Mitra não creem em ressurreição física.

      Nash observa:

      “Alegações da dependência cristã primitiva do mitraísmo foram rejeitadas por várias razões. O mitraísmo não tem conceito da morte e ressurreição de seu deus nem lugar para qualquer conceito de renascimento – pelo menos durante seus primeiros estágios (…) Durante os primeiros estágios da seita, a ideia de renascimento seria estranha à sua visão básica (…) Além disso, o mitraísmo era basicamente uma seita militar. Portanto é preciso ser cético com relação à sugestões de que tenha atraído civis como primeiros cristãos”[10]

      Além disso, os que afirmam que Mitra nasceu de uma virgem fazem isso por ignorância ou desonestidade, pois ele teria nascido de uma rocha. Então, a não ser que a rocha possa ser considerada “virgem”, ele não nasceu de uma virgem! A crença de que em seu nascimento havia a presença de pastores é do quarto século d.C, e é falsa a afirmação de que Mitra tinha 12 discípulos. Essa afirmação é baseada em um quadro onde Mitra aparece matando um touro, emoldurado em duas colunas verticais, cada uma com seis quadros, que em momento nenhum alude a “discípulos” dele, mas os signos do zodíaco.

      Mitra também não teve nenhuma ressurreição corporal. Primeiro, porque o mitraísmo não crê em ressurreição, como creem os cristãos. Segundo, porque Mitra jamais morreu para que pudesse ressuscitar. Como disse um especialista que estudou sobre Mitra a fundo: “não há morte de Mitras” – e, consequentemente, nenhuma ressurreição posterior. E, em terceiro, porque depois que Mitra concluiu sua missão terra foi logo conduzida ao Paraíso em uma carruagem, vivo e muito bem. Jesus morreu e ressuscitou. Mitra não morreu, muito menos ressuscitou.

      Por fim, a última acusação dos conspiracionistas em torno do mitraísmo é a da Santa Ceia, em que Mitra teria dito que “aquele que não comer do meu corpo ou beber do meu sangue, de forma a se tornar um comigo, não será salvo”. Essa se trata provavelmente da maior de todas as mentiras e adulterações, pois não foi dito por Mitra, mas por Zaratrusta, em plena Idade Média, sendo adicionada séculos depois de Cristo, e nem mesmo era uma referência a Mitra!

      A coisa mais próxima a uma “Ceia” celebrada por mitra foi um jantar onde seus seguidores comeram pão, carne, água e vinho. Essa refeição em nada tinha a ver com a Ceia cristã, que é formada apenas de pão e vinho. A refeição de Mitra não era a Ceia cristã, mas uma refeição muito praticada em todas as partes do império romano, com toda a naturalidade do mundo.

      Considerações Finais

      Os adeptos da teoria da conspiração em torno de Jesus Cristo têm argumentos fracos, frágeis, superficiais, e muitas vezes mentirosos, irreais, fraudulentos. Não resistem em nenhum debate de ideias com qualquer estudioso sério do assunto, tem poder apenas para enganar indoutos desinformados. Como conta o famoso filósofo cristão, Dr. William Lane Craig:

      “Se eles chegarem a citar um trecho de uma fonte, eu acho que você ficará surpreso com o que verá. Por exemplo, no meu debate sobre a ressurreição com Robert Prince, ele dizia que as curas que Jesus fez vieram dos relatos mitológicos de curas, como as de Esculápio. Eu insisti que ele lesse a todos uma passagem das fontes originais mostrando a suposta similaridade. Quando ele leu, o que alegava não tinha nada a ver com as histórias dos Evangelhos sobre as curas de Jesus! Essa foi a melhor prova que a origem das histórias não estava relacionada”

      Uma análise superficial por pessoas incapazes ou preguiçosas de descobrirem a verdade dos fatos pode levar muita gente a acreditar fielmente em cada uma das mentiras e falsidades que foram expostas em Zeitgeist e que é repetido à exaustão pelos ateus, mas uma pesquisa mais profunda e um estudo mais sério são mais que o suficiente para deitar por terra todas as inverdades propagadas pelos conspiracionistas.

      Não há qualquer ligação profunda, ou sequer superficial, entre os mitos pagãos e a pessoa de Jesus Cristo à luz dos evangelhos. É completamente irracional e impensável acreditar que os escritores bíblicos plagiaram Jesus daqueles deuses mitológicos que acabamos de conferir. Se eles tivessem plagiado a ideia, teriam retratado um Jesus poderoso na terra, que era rico, ambicioso, imponente, altivo e impetuoso, igualzinho os deuses pagãos.

      Não teriam relatado um Cristo que se fez pobre por amor a nós (2Co.8:9), que não tinha onde reclinar a cabeça (Lc.9:58), que tinha a humilde profissão de carpinteiro (Mc.6:3), que morreu crucificado ao lado de dois condenados (Lc.23:33), que foi açoitado pelos romanos, zombado pelos judeus, desprezado pelo mundo, que morreu como uma ovelha no matadouro.

      Nada disso se vê nos poderosos deuses mitológicos, que ainda apresentavam traços de caráter por vezes desvairados, que exaltavam a si mesmos, que lutavam pelo bem de si próprios, nem que para isso fosse necessário matar outro deus ou armar as mais insanas estratégias de denegrir o próximo. Jamais se ofereceriam para lavar os pés de seus discípulos (Jo.13:12), nunca diriam que não vieram para serem servidos, mas “para servir e dar a vida em resgate de muitos” (Mt.10:45).

      Os deuses mitológicos morriam por compulsão, não por escolha. Tomados pelo orgulho ou pelo desespero, tiravam a vida uns dos outros, se vingavam uns dos outros, enganavam e eram enganados. Jesus, porém, morreu voluntariamente, em um amor sacrificial. Sua morte não foi uma derrota, mas uma vitória. Nunca nenhum deus de mistério morreu vicariamente por outra pessoa, ou “para tirar o pecado do mundo” (Jo.1:29). Jamais algum deus mitológico chegou ao ponto de esvaziar a si mesmo, tomar a forma de servo, se fazer semelhante aos homens, humilhar a si mesmo e ser obediente até a morte, e morte de cruz (Fp.2:7,8).

      Não, Jesus Cristo não é um mito, nem um plágio, nem uma invenção de mentes velhacas. Jesus Cristo é um personagem único e singular na história das religiões. Sem igual, sem precedentes, sem similares. É tão real e verdadeiro que milhares de cristãos deram a vida em martírio nessa certeza, como testemunhas oculares daquele que um dia esteve entre nós. À luz de todas as evidências históricas, acreditamos que o mais lógico e coerente é crer em Cristo exatamente como a Bíblia o descreve: “Senhor meu e Deus meu” (Jo.20:28).

  7. Khaterine diz:

    Longe de ser uma teósofa e ir mais afundo no assunto, acredito que realmente somos “consumidores” de crenças muitas vezes colocadas por uma religião sem refletir muito nos dogmas, simplesmente pela fé. Preceitos esses que são modificados, acrescentados, recompilados (a colcha de retalhos) ao longo do tempo. Gostei bastante do texto.
    Abraços!

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