Você já sabe tudo isso!


O papel em branco me causa medo. E além do medo, me causa expectativa. A expectativa de fazer com que ele deixe de ser branco. Isso não é mania de quem quer ser escritor (coisa que nunca vou ser, que se diga). É mania de quem não se habituou a viver conformado com o vazio de uma folha em branco, de quem não quer mais viver do mesmo jeito sempre, de forma monocromática e chata.

Mas a vida de tantos tem sido apenas uma folha em branco. Uma chata folha branca cheia de medos, de hesitações, de vontades (nenhuma feita). Essa é a pior vida que alguém pode sujeitar-se a ter: a da existência do medo. Não que o medo seja algo ruim. Não é. O medo é que nos deixa vivo. Ruim é quando permitimos que o medo seja o norteador de tudo o que fazemos. Aí nada será feito. Qualquer decisão será tomada na certeza do “dar errado”. Errado nós já sabemos que vai dar, que tudo na vida se constitui de negativos, de enganos e problemas. A vida é coisa que dói, que é difícil, que se enche cada vez mais de problemas que parecem sempre insolúveis. A vida é assim. O grande diferencial é viver. Existir todo mundo existe. Viver não. Viver é sempre transformar o “não” em “sim”, de fazer dar certo aquilo que daria errado, é focar nas soluções ao invés de pensar nos problemas, é estar cada vez mais empoderado das suas decisões. Viver é, antes de tudo, a capacidade não ter medo de ter medo. É saber encarar o medo e arriscar, fazer o que todos não têm coragem de fazer (e isso todo mundo tem que fazer até se tornar um clichê tão grande quanto este texto).

Essa coisa de não arriscar para evitar problemas já é um problema. Um grande problema. Um problema que te impede de fazer tudo. Que te torna cada vez mais um estúpido, debiloide. Não tenho habilidade para ensinar o que deve ser feito quando a questão é vida. Isso porque as pessoas sabem o que deve ser feito, mas não fazem. Sabem que devem se arriscar e ver no que vai dar, mas não se arriscam. Por isso que os textos de autoajuda fazem tanto sucesso, é por isso que você está concordando comigo desde o começo dessa nossa conversa: porque o que tem aqui, tanto no meu texto  quanto nos do Augusto Cury (meu amigo de fé, meu irmão, camarada), é que dizemos aquilo que você já sabe de cor e salteado. O problema da vida, leitores queridos, não é a vida, mas aqueles que não sabem vivê-la (olha eu aí mandando aquela frase de efeito pra fazer você se emocionar).

Mas aí vocês leram todo esse blábláblá Paulo-agustocuryano-Coelho e sabem no que  vocês vão mudar? Isso! Em nada. Mudar requer dor, sai da gostosa zona de conforto e pegar no batente, e padecer um bocado, e ir rompendo com aquilo que aparentemente faz bem, mas que só tem te lascado a vida. Não, vocês não vão mudar. Vão continuar com vontade, mas sem fazer; vão continuar olhando aquela oportunidade passar e ficar com medo de apanhá-la; vão continuar reclamando que aquela paixão nunca rolou, mas não vão correr pra alcança-la. Vocês não vão mudar. Essa não é primeira vez que vocês leem isso. Já é o milésimo texto que vocês leram dizendo a mesma coisa que há anos vocês sabem. Não incomoda você continuar do mesmo jeito, fazer as mesmas coisas, sofrer pelos mesmos problemas, passar pelas mesmas situações (às vezes com as mesmas pessoas)? Se fosse você, já teria jogado a toalha. Isso, jogado essa toalha velha e suja que tantas vezes você usou; teria levantado minha bunda da cadeira e ido montar esse touro raivoso e problemático (mas que dá tanta alegria) chamado vida.  Depois disso é ver se você vai cair ou o dominar, mas pra saber disso vai ter que montar.

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Sobre Ricardo Silva

Sem talento para auto definições.
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4 respostas a Você já sabe tudo isso!

  1. flor da noite diz:

    parece que nos foi ensinado desde sempre a permanecer na zona de conforto, uma vez que sair da comodidade pode incomodar e trazer “problemas” as outras pessoas.

  2. Tainá Almeida diz:

    que liiiiiiiindo *-*

  3. Há algum tempo que não lido nenhum texto seu e mais uma vez, não me arrependi.

    Como bem colocado na redação, o teor é algo que todos conhecem bem, mas preferem navegar em águas tranquilas.

    Lembro de ter ouvido essa frase em algum lugar, acho que num filme tosco para o público infanto juvenil, que dizia: “Coragem não significa ausência de medo, significa saber que a ação é mais importante que o medo.”

    Abração!

  4. Marcella Viana diz:

    Love u

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